Setor industrial enfrenta desafios e altos custos para produzir no Brasil
Empresários e especialistas apontam que Custo Brasil, frete volátil e outros fatores afetam diretamente a produção industrial

As empresas brasileiras gastam R$ 1,7 trilhão por ano para operar. É o que mostram dados levantados pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor contribui para o encarecimento dos produtos industriais e reduz a competitividade do país.
Juliana Gagliardi, coordenadora de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), explica que diversos fatores elevam os custos de produção no Brasil.
“Entre os que mais pesam no custo Brasil está, por exemplo, o pagamento de tributos, que não está necessariamente associado apenas ao tamanho ou ao valor da tributação no Brasil, mas principalmente à complexidade tributária. Então, cumprir as obrigações tributárias custa mais ou menos R$ 550 bilhões por ano. Além disso, temos o fator relacionado ao emprego de capital humano, que está associado à mão de obra, e não exatamente apenas ao custo dos salários, mas principalmente à qualificação dos trabalhadores”, explica.

O professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e ex-diretor do Banco Mundial, Carlos Braga, afirma que esse cenário coloca o Brasil atrás de diversos países quando o assunto é custo para fazer negócios.
“O Banco Mundial, na realidade, por meio da International Finance Corporation, que é o braço privado do Banco Mundial, fazia até 2020 um relatório chamado Doing Business, que avaliava o custo de se fazer negócios para pequenas e médias empresas ao redor do mundo. Na última edição, publicada em 2020 com dados de 2019, entre 190 economias, o Brasil estava na 124ª posição. Estava ali perto da Argentina, em uma situação bastante ruim em termos do custo de se fazer negócios no país”, afirma.

Fatores como carga tributária, condições das estradas, juros elevados, falta de mão de obra qualificada e custos de transporte pesam sobre o setor industrial. O CEO de uma empresa de esquadrias de alumínio na Grande Belo Horizonte, Flávio Guimarães, conta que, no negócio, a logística é um dos principais fatores de impacto.
“O frete é um item caro no meu negócio e, às vezes, chega a representar 6% ou 7% do meu custo. É muito alto. O alumínio não é tão pesado, mas ocupa muito espaço, e por isso o frete fica caro. A gente traz a matéria-prima principalmente de São Paulo e do Espírito Santo, e isso influencia muito no nosso custo. Com a volatilidade do preço do combustível, os fretes têm aumentado, e estamos tentando, por enquanto, segurar esse impacto sem repassar um aumento efetivo por causa do frete”, conta.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



