Itatiaia

Debate sobre diversificação industrial marca terceiro painel do Eloos Itatiaia

Especialistas destacam a ampliação da presença de Minas Gerais em setores estratégicos, como siderurgia avançada, bens de capital, eletromobilidade, indústria farmacêutica e tecnologia

Por
Walker Lahmann, diretor-executivo da Eurofarma; Milena Pedrosa, presidente da Invest Minas; Felipe Davis, CEO da OOH Brasil/Conar; e Leonardo Bortoletto, diretor do Itatiaia Negócios, participaram da mesa de debate para discutir o papel da diversificação industrial no futuro de Minas Gerais.
Walker Lahmann, diretor-executivo da Eurofarma; Milena Pedrosa, presidente da Invest Minas; Felipe Davis, CEO da OOH Brasil/Conar; e Leonardo Bortoletto, diretor do Itatiaia Negócios, participaram da mesa de debate para discutir o papel da diversificação industrial no futuro de Minas Gerais. • Uarlen Valério/ Itatiaia

O painel de encerramento do quinto ciclo do Eloos Itatiaia reuniu Walker Lahmann, diretor executivo da Eurofarma; Milena Pedrosa, presidente da Invest Minas; Felipe Davis, CEO da OOH Brasil/Conar; e Leonardo Bortoletto, diretor do Itatiaia Negócios, para discutir o papel da diversificação industrial no futuro de Minas Gerais.

Mediado pelo jornalista Allan Passos, âncora da Rádio Itatiaia, o debate abordou estratégias para ampliar a competitividade do estado por meio da inovação, da agregação de valor, da atração de investimentos e da formação de mão de obra qualificada.

Embora Minas Gerais seja tradicionalmente reconhecido pela mineração e pela siderurgia, os participantes defenderam que o estado já possui uma economia diversificada e reúne condições para ampliar sua participação em setores de maior intensidade tecnológica. Ao longo do debate, foram apontados como prioridades o fortalecimento das cadeias produtivas, a industrialização de produtos com maior valor agregado e a preparação da força de trabalho para atender às novas demandas da economia.

A presidente da Invest Minas, Milena Pedrosa, destacou que o estado possui uma base econômica ampla. Segundo ela, o desafio agora é aprofundar a integração entre essas cadeias produtivas e incentivar novos negócios ligados à transição energética.

"Nós já somos um estado diversificado, mas ainda temos muitos passos para dar. Trabalhamos no adensamento das cadeias produtivas porque entendemos que agregar valor é fundamental para o desenvolvimento industrial", afirmou.

Milena também ressaltou que a Invest Minas identificou tecnologias relacionadas à rota da descarbonização que podem ser incorporadas tanto à indústria quanto a novos empreendimentos. Na avaliação dela, Minas Gerais reúne vantagens competitivas para atrair investimentos, mas precisa avançar em inovação, qualificação profissional e redução dos impactos do chamado Custo Brasil.

"As tendências estão nos mercados do futuro. Precisamos investir em capacitação, inovação, tecnologia e agregar valor às nossas cadeias produtivas. Temos muitas oportunidades, mas esse é um trabalho coletivo", disse.

Diversificação

Como exemplo de diversificação industrial, Walker Lahmann destacou a consolidação de Montes Claros, na região norte do estado, como um dos principais polos farmacêuticos do país. Segundo o diretor executivo da Eurofarma, a concentração de empresas do setor tem impulsionado investimentos, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados na região.

Ele ressaltou, porém, que o crescimento acelerado também exige planejamento em infraestrutura, oferta de energia e formação de profissionais especializados.

"Antes mesmo de iniciarmos a operação, buscamos parceria com universidades locais para formar os profissionais de que precisaríamos. Quando há ações coordenadas entre empresas, governo e instituições de ensino, os resultados aparecem", afirmou.

Walker acrescentou que o conhecimento é um dos principais motores da inovação. Segundo ele, a Eurofarma alia a produção de medicamentos genéricos, ampliando o acesso da população, a investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento.

Para o executivo, o ambiente favorável aos negócios construído em Minas Gerais também tem contribuído para atrair novas empresas ao estado.

"O governo, por meio da Invest Minas, e entidades como a Fiemg têm desempenhado um papel importante nesse processo. Esse trabalho conjunto cria confiança e estimula novos investimentos", destacou.

Indústria da comunicação

A indústria da comunicação também foi apontada como um setor estratégico para agregar valor à economia. Felipe Davis afirmou que criatividade, tecnologia e conhecimento se tornaram ativos capazes de impulsionar a competitividade de diversos segmentos produtivos.

"A indústria da comunicação tem capacidade de transformar criatividade, conhecimento e tecnologia em valor econômico. Ela pode ser uma mola propulsora para outras indústrias ao fortalecer marcas, inovação e ambientes de confiança", afirmou.

Ao abordar os impactos da inteligência artificial, Felipe observou que a comunicação vive uma transformação mais acelerada do que em outros setores. Segundo ele, a tecnologia já influencia diretamente os processos criativos, mas ainda há discussões sobre regulamentação e limites para seu uso.

"Esse debate está apenas começando. Precisamos entender até onde a inteligência artificial pode contribuir para a produtividade sem comprometer a criatividade", disse.

Leonardo Bortoletto destacou que, mais do que diversificar a economia, muitas empresas buscam qualificar e sofisticar as atividades que já desenvolvem. Segundo ele, setores tradicionais ainda enfrentam barreiras regulatórias que dificultam a agregação de valor, enquanto outros segmentos possuem espaço para ampliar sua participação na economia.

"O empresário normalmente busca soluções práticas para fortalecer sua cadeia produtiva. Muitas vezes, o desafio não é criar um novo setor, mas agregar mais valor ao que já existe", afirmou.

Ao tratar da incorporação de novas tecnologias, Bortoletto defendeu que a inteligência artificial seja vista como uma ferramenta para aumentar a eficiência, e não como um modismo.

"Não podemos transformar a inteligência artificial em um tema em que quem não aderir ficará para trás. Muitas pequenas e médias empresas ainda enfrentam problemas básicos, como a falta de mão de obra, e isso precisa ser considerado", afirmou.

Para o diretor do Itatiaia Negócios, políticas públicas de longo prazo podem facilitar a adoção de tecnologias e fortalecer a vocação econômica de cada região.

"Quando o Estado planeja a partir das vocações locais, a implementação das soluções se torna muito mais eficiente. Nem sempre é preciso uma grande inovação para produzir melhor", concluiu.

O painel foi encerrado com a avaliação de que a diversificação industrial depende da atuação conjunta entre poder público, empresas, instituições de ensino e entidades representativas. Para os participantes, fortalecer cadeias produtivas, investir em inovação e qualificar a mão de obra serão fatores decisivos para que Minas Gerais amplie sua competitividade nos mercados nacional e internacional.

Eloos Itatiaia

O Eloos Itatiaia é um movimento independente, apartidário e plural, criado pelo Grupo Itatiaia para reunir diferentes vozes, ideias e experiências em torno de um objetivo comum: impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais e do Brasil.

Por meio do Eloos, o Grupo Itatiaia promove a integração entre pessoas que atuam com propósito, em diferentes setores estratégicos para o país. O projeto é um espaço de diálogo qualificado, onde pontos de vista se encontram para gerar soluções concretas para os desafios comuns.

 

Por

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.

 

 

Belo Horizonte