Defasagem educacional contribui para escassez de mão de obra qualificada na indústria
Descompasso entre a educação e a qualificação profissional dificulta a atração de novos talentos para o setor

A escassez de profissionais com formação técnica e habilidades tecnológicas afeta diretamente a competitividade da indústria, elevando custos e dificultando novos investimentos. No Brasil, o desempenho dos estudantes que concluem o ensino médio permanece abaixo da média esperada, conforme os dados de 2024 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para o setor industrial, esse cenário resulta em maiores gastos com treinamentos, aquisição de equipamentos e reestruturação de equipes, além de impactos na produtividade.
Em Minas Gerais, o índice registrado é de 4,2, abaixo da meta nacional de 5,2. A defasagem também se reflete no baixo nível de letramento digital dos jovens que ingressam no mercado de trabalho. Mesmo após anos na educação básica, muitos estudantes concluem a formação sem contato com disciplinas voltadas à tecnologia ou à qualificação técnica.
O economista e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Ricardo Henriques, afirma que faltam ações integradas para ampliar o acesso ao ensino técnico nas escolas públicas.
“Talvez esteja na ausência de uma estratégia coordenada, tanto do poder público quanto do privado, para oferecer ensino técnico e profissionalizante de alta qualidade em larga escala. Ou seja, fazer o que vários países do mundo já fizeram e que nós também precisamos fazer: organizar a formação básica, sobretudo nas escolas públicas, para que não tenhamos como horizonte apenas os 25% ou 30% das pessoas que vão para a universidade, mas sim 100% dos estudantes. Que os 25% ingressem na universidade e que os outros 75% concluam o ensino médio com uma primeira formação técnica de qualidade”, afirma.

Diante da baixa oferta desse tipo de formação na educação básica, instituições de ensino técnico passaram a desempenhar um papel importante na qualificação da mão de obra. O gerente da unidade do SESI/SENAI Horto, em Belo Horizonte, Dalison Lage, destaca que essas escolas conseguem preparar profissionais de acordo com as demandas da indústria.
“A gente tem a oportunidade de trabalhar com diversas modalidades de produtos educacionais, onde essa formação ocorre de forma a atender especificamente cada necessidade da indústria. Desde as formações de mão de obra rápidas, como aperfeiçoamento profissional, que são cursos de curta duração, às formações de nível técnico, que são mais robustas, até a preparação de profissionais para o ingresso na primeira oportunidade de trabalho dentro do setor industrial”, explica.

O supervisor técnico do Centro Automotivo do SENAI, Jonathan Souza, ressalta que a remuneração de quem se qualifica na área já começa acima da média de diversas funções operacionais da indústria.
“E o salário está na média inicial na área automotiva, que reúne várias especialidades. Mas, considerando uma média, o profissional começa ganhando entre R$ 4 mil e R$ 4,5 mil. E, claro, dependendo da formação e da qualificação, essa remuneração pode chegar a R$ 25 mil”, afirma.

O presidente da Suggar, Leandro Costa, explica que a empresa mantém parcerias com instituições de ensino técnico para facilitar a contratação de profissionais qualificados e reduzir os impactos da escassez de mão de obra.
“A gente acaba tendo também as parcerias com Fiemg, SESI e SENAI para trazer mão de obra qualificada. Além disso, utilizamos ferramentas de treinamento para capacitar esses profissionais e atender às necessidades da empresa”, diz.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



