Maioria da indústria rejeita fim da escala 6x1 e prevê queda na produção
Sondagem da CNI mostra que 73% das empresas são contra a redução da jornada de trabalho e apontam riscos de queda na produção e perda de competitividade

Uma sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 97% da indústria brasileira seria impactada por uma eventual redução da jornada de trabalho. O levantamento também mostra que 73% das empresas são contrárias à imposição da medida por lei. Em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1, o setor manifesta preocupação com o aumento dos custos, a redução da produção e a perda de competitividade.
O estudo, que analisa os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho e da extinção da escala 6x1, ouviu 1.366 empresas das indústrias extrativa e de transformação e 298 empresas da construção, de pequeno, médio e grande porte. O objetivo foi avaliar os impactos que as mudanças podem provocar na atividade industrial.
Segundo a pesquisa, 97% das indústrias seriam afetadas por alterações na legislação, já que cerca de 85% das empresas operam atualmente com jornada de 44 horas semanais. O levantamento também evidencia uma forte preocupação do setor: 85% das empresas preveem aumento dos custos operacionais, enquanto 70% estimam perda de competitividade.
As expectativas em relação às propostas são majoritariamente negativas. Entre os principais impactos apontados estão o aumento dos custos diretos com empregados, citado por 85% das empresas, e a elevação dos gastos com fornecedores, mencionada por 82%.
Além disso, 70% das indústrias acreditam que haverá perda de competitividade e 68% projetam redução no volume de produção. Para 61% das empresas, o impacto sobre a folha de pagamentos será elevado. A reorganização das escalas de trabalho também preocupa o setor: 38% apontam alta dificuldade para gerenciar as mudanças, enquanto 34% afirmam que será necessário criar novos turnos para manter as operações.
Rejeição e possíveis adaptações
A pesquisa mostra que a indústria é majoritariamente contrária às mudanças propostas. Entre os entrevistados, 73% rejeitam a redução da jornada para 40 horas semanais e 57% são contra a proibição da escala 6x1. Em contrapartida, apenas 11% apoiam a redução da jornada e 22% defendem o fim da escala.
Caso a jornada seja reduzida, as empresas indicam diferentes estratégias para minimizar os impactos. A principal medida seria repassar parte dos custos aos consumidores, alternativa apontada por 51% dos entrevistados. Em seguida aparecem o aumento dos investimentos em automação (41%) e a redução de reajustes salariais ou de promoções (34%).
Entre as grandes empresas, há maior tendência de ampliar os investimentos em automação (49%) e realizar novas contratações para preservar o nível de produção (39%). Já as pequenas indústrias demonstram maior propensão a reduzir o quadro de funcionários (17%). Além disso, 46% das empresas afirmam que revisariam seus planos de investimento e expansão caso as mudanças fossem implementadas. Entre as pequenas, esse percentual chega a 56%.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.



