Indústria estima que fim da escala 6x1 pode elevar custos e mudar a rotina das empresas
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) diverge e avalia que impacto poderia ser absorvido pela economia

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o fim da escala 6x1 pode elevar em R$ 25,5 bilhões os custos anuais com a folha de pagamento em Minas Gerais. O estado ficaria atrás apenas de São Paulo entre os mais impactados pela mudança. Em todo o país, segundo estudo da entidade, o aumento chegaria a R$ 267 bilhões, o equivalente a um acréscimo de 7% nos custos trabalhistas.
Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avalia que o impacto da redução da jornada de trabalho seria semelhante ao de um reajuste do salário mínimo, representando cerca de 1% de aumento nos custos operacionais, percentual que poderia ser absorvido pela economia.
Para representantes da indústria, entretanto, a elevação dos custos tende a ser repassada aos preços dos produtos. É o que afirma o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.
“Ao aumentar o custo de todos os setores produtivos, isso vai se refletir no próprio bolso das pessoas. Além de gerar menos emprego, vai ter aumento de custo e preço das coisas para as pessoas. Na nossa estimativa, em média, os preços devem subir 6,2% na economia”, afirma.

O setor também avalia que a redução da jornada poderá exigir mudanças na organização das empresas. Segundo a gerente trabalhista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fernanda Ribas, os empregadores terão de optar entre contratar novos funcionários para compensar a diminuição das horas trabalhadas, investir em automação ou, em alguns casos, reduzir o quadro de pessoal.
“O custo daquele trabalhador para a empresa vai ser elevado. A empresa pode ter que contratar mais trabalhadores para suprir as horas reduzidas ou automatizar parte do serviço e não contratar novos funcionários. Em alguns setores, algumas empresas podem não conseguir absorver esse custo e acabar dispensando trabalhadores, porque eles ficaram mais caros”, explica.

Realidade das pequenas empresas
Renan Bittencourt, responsável por uma fábrica de cosméticos em Belo Horizonte, afirma que a empresa já opera em escala 5x2, com funcionamento de segunda a sexta-feira. Ainda assim, caso a carga horária semanal seja reduzida, será necessário ampliar a equipe.
“Atualmente trabalhamos na escala 5x2, de segunda a sexta, das sete da manhã às cinco da tarde, sendo que, na sexta, saímos às quatro da tarde. Com a nova proposta, a carga horária vai cair de 44 para 40 horas. Com essa redução, vamos precisar contratar mais uma ou duas pessoas. Somos uma indústria de pequeno porte”, conta.

Tramitação da proposta
Outra preocupação do setor é a rapidez da tramitação da proposta no Congresso Nacional. Em entrevista à CNN, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a discussão exige mais cautela e criticou a aceleração do debate em um período eleitoral.
“Nós já temos um problema grave de custos altos no Brasil. Então, precisamos tomar cuidado para não gerar desemprego nem aumentar a informalidade. É um exemplo do que aconteceu no Chile, onde houve uma redução da jornada que aumentou a informalidade e o desemprego. Hoje, no Brasil, temos 45 milhões de pessoas com carteira assinada e outras 44 milhões na informalidade e em trabalhos temporários”, afirma.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



