Encerramento do ciclo agro do Eloos Itatiaia debate questões do campo
Especialistas e convidados discutiram infraestrutura, tecnologia, segurança e desenvolvimento no agronegócio

O ciclo agro do Eloos Itatiaia reuniu lideranças políticas, representantes do setor produtivo, pesquisadores e especialistas para discutir os rumos do agronegócio brasileiro diante dos desafios globais, estruturais e tecnológicos. Ao longo dos três painéis, os participantes convergiram na defesa de mais segurança jurídica, investimentos em infraestrutura, fortalecimento da inovação e ampliação da competitividade do setor.
No primeiro debate, dedicado à geopolítica, a presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, defendeu que o agronegócio seja tratado como um tema estratégico para o país. Ela destacou que o Brasil possui vantagens competitivas relevantes e afirmou que o setor precisa de planejamento de longo prazo.
“Temos produtividade acima da média mundial e potencial para crescer ainda mais. O que falta é planejamento e uma estratégia de longo prazo que reconheça a importância do agro para o desenvolvimento do país”, afirmou. A executiva também ressaltou a importância da rastreabilidade e da sustentabilidade para fortalecer a imagem do agro brasileiro nos mercados internacionais.

O senador Flávio Bolsonaro chamou atenção para os impactos dos juros elevados e do endividamento dos produtores rurais. Segundo ele, a previsibilidade regulatória é fundamental para atrair investimentos.
“Não existem investimentos de longo prazo sem previsibilidade. É preciso garantir segurança jurídica para que o Brasil aproveite seu potencial como fornecedor global de alimentos”, disse.
O parlamentar também defendeu a ampliação da produção nacional de fertilizantes para reduzir a dependência externa.

Representando o governo de Minas Gerais, Thales Fernandes, secretário de Estado de Agricultura, destacou o potencial de agregação de valor da produção mineira, especialmente em cadeias como o café, os queijos artesanais e a cachaça.

Já o deputado Domingos Sávio reforçou a necessidade de fortalecer o seguro rural e criar mecanismos que ofereçam mais proteção aos produtores diante dos desafios climáticos e econômicos.

Segundo painel
No segundo painel, voltado aos gargalos estruturais do setor, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado associou o desenvolvimento do agronegócio à melhoria da segurança pública e da governança.
“O Brasil é a segurança alimentar e energética do planeta”, afirmou, ao defender medidas para combater a criminalidade no campo e ampliar a confiança dos investidores.

A presidente da OAB-MG, Núbia de Paula, destacou que a insegurança jurídica continua sendo um dos principais obstáculos para o setor.
“Sem segurança jurídica, não há garantia de retorno do investimento”, afirmou. Ela defendeu maior previsibilidade nas regras e a redução da burocracia nos processos de licenciamento e fiscalização.

No Dia Mundial do Leite, José Luiz Bellini Leite, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, alertou para os efeitos do dumping sobre os produtores brasileiros e ressaltou a importância da pesquisa para garantir competitividade ao setor.
“Buscamos desenvolver informações e tecnologias que proporcionem produções mais eficientes, rentáveis e resilientes”, disse.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lacerda, também chamou atenção para a necessidade de investir na formação de mão de obra e na sucessão rural para garantir o futuro da atividade.

Já a colunista Fernanda Pressinott destacou os déficits de armazenagem e logística, apontando que grande parte da produção agrícola ainda fica exposta a perdas por falta de estrutura adequada. Segundo ela, ampliar investimentos em infraestrutura é essencial para reduzir custos e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Terceiro painel
O terceiro e último painel abordou o papel da tecnologia e da inovação na transformação do campo. A deputada federal Ludmila Falcão destacou a importância das políticas públicas para fortalecer o setor e reduzir entraves burocráticos.
O ex-governador Romeu Zema defendeu reformas administrativas e maior eficiência do Estado como caminhos para reduzir os juros e criar um ambiente mais favorável aos investimentos.

O presidente da Sociedade Mineira dos Engenheiros Agrônomos, Bernardo Scarpelli, enfatizou a relevância da engenharia para a adoção de novas tecnologias no campo. “Não existe produtor que utilize tecnologia e não obtenha resultados”, afirmou.

Já o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, destacou que a tecnologia só gera benefícios quando é aplicada de forma adequada à realidade de cada propriedade. “Não basta apenas adquirir tecnologia e acreditar que tudo está resolvido. Ela deve ser utilizada para melhorar a produção”, ressaltou.

Encerrando os debates, o professor da Fundação Dom Cabral, Guilherme Raucci, chamou atenção para a importância da inovação como ferramenta para enfrentar os riscos inerentes à atividade rural.
“A inovação não está apenas nos drones ou nas máquinas autônomas. No Brasil, também inovamos em sementes, defensivos biológicos e em diversas outras áreas que muitas vezes passam despercebidas”, afirmou.

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.
