Tecnologia e inovação no campo encerram debates do ciclo agro do Eloos Itatiaia
De acordo com os especialistas, o agro pode se beneficiar das inovações, da inteligência de dados, da pesquisa e de novos modelos de gestão para ampliar a produtividade, a competitividade e a eficiência

O terceiro e último painel do Eloos Itatiaia Agro encerrou os debates do evento discutindo como o avanço da tecnologia e da inovação está transformando a realidade no campo. A mesa contou com a participação de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República; Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar; Guilherme Raucci, professor convidado do Centro Agroambiental da Fundação Dom Cabral (FDC); Ludmila Falcão, deputada federal por Minas Gerais; Valdir Barbosa, colunista do Itatiaia Agro; e Bernardo Scarpelli, presidente da Sociedade Mineira dos Engenheiros Agrônomos (SMEA).
Ludmila Falcão destacou o trabalho realizado na Câmara dos Deputados para reduzir a burocracia e fortalecer o setor.
“Não tem como falar do agro sem políticas públicas envolvidas. Quando o Estado não atrapalha, ele ajuda muito. Ainda encontramos grandes dificuldades. Precisamos de investimentos para tornar o agro mais forte. Somos pioneiros em vários níveis e precisamos defender nossos setores”, afirmou.
Romeu Zema abordou a importância da economia na gestão do orçamento público. “No meu plano de governo estão as privatizações. A função do governo não é administrar empresas, mas investir em educação, segurança e saúde. O uso de empresas estatais para fins políticos não faz bem ao país. Defendo uma reforma previdenciária e administrativa, além da revisão dos programas sociais. O mercado reage aos gastos excessivos do governo, e quem acaba pagando a conta são os produtores rurais e as famílias endividadas. Quando os juros estão altos, há mais pressão sobre o orçamento”, disse.
Formação profissional
Ao comentar a formação de novos profissionais para o agro tecnológico, Bernardo Scarpelli ressaltou o papel da engenharia no desenvolvimento do setor.
“Não há como falar de tecnologia e ciência sem engenharia. Com mais de 30 anos de formação e atuação profissional, posso dizer que ser produtor rural é uma luta diária. No entanto, estamos preparados para as tecnologias que estão chegando. Não existe produtor que utilize tecnologia e não obtenha resultados. Precisamos tomar cuidado para que essas ferramentas não sejam utilizadas de forma inadequada. É necessário ampliar a educação nessa área para que a tecnologia seja aplicada corretamente. Não há atividade agrícola que não conte com a assistência de um engenheiro agrônomo. Precisamos levar a agricultura para um lugar de utilidade pública”, destacou.
Antônio de Salvo falou sobre a adoção de novas tecnologias como ferramenta para melhorar os investimentos e os resultados no campo.
“As pessoas, muitas vezes, não compreendem o que é tecnologia. Uma betoneira, por exemplo, pode ser considerada uma tecnologia se resolve um problema. Precisamos adequar cada propriedade ao seu nível tecnológico. Não basta apenas adquirir tecnologia e acreditar que tudo está resolvido. Ela deve ser utilizada para melhorar a produção. Temos dificuldade de atender todos os produtores, mas, se entendermos que o conhecimento se dissemina entre eles, conseguimos ampliar esse alcance ”, afirmou.
O presidente do Sistema Faemg Senar também destacou a importância da agricultura tropical para o desenvolvimento brasileiro.
“Estamos começando a compreender a dimensão do que construímos na agricultura tropical. Ninguém fez o que o Brasil fez. O Cerrado é um exemplo: uma área antes considerada improdutiva que foi transformada em uma das regiões agrícolas mais importantes do mundo. Esse debate precisa ganhar mais espaço. O que temos é espetacular. Somos sustentáveis e tecnológicos”, disse.
Gestão rural
Guilherme Raucci apontou sobre os desafios da gestão rural e da inovação no setor.
“Quando falamos de inovação, precisamos discutir pesquisa, e é isso que fazemos na Fundação Dom Cabral. O dia a dia do produtor rural é complexo, e os desafios da produção são constantes. A inovação surge justamente para enfrentar esses riscos. Ela não está apenas nos drones ou nas máquinas autônomas. No Brasil, também inovamos em sementes, defensivos biológicos e em diversas outras áreas que muitas vezes passam despercebidas por quem não está no setor. Tudo isso exige investimento. À medida que a tecnologia entra no cotidiano do campo, geramos cada vez mais informações. O desafio está em organizar e interpretar esses dados. No agro, cada safra é diferente, pois trabalhamos a céu aberto. Estruturar esse conhecimento leva tempo, mas estamos avançando”, concluiu.
Eloos Agro
No quarto ciclo do projeto Eloos Itatiaia, a Rádio Itatiaia e o portal Eloos promoveram uma rodada de debates, nos meses de abril e maio, sobre o desenvolvimento econômico de Minas do Brasil, desta vez com foco no agronegócio.
Nesta segunda-feira (1°), o ciclo de debates sobre o setor é encerrado com um evento em Belo Horizonte reunindo autoridades, lideranças do campo e especialistas para discutir os principais temas que movem o setor.
Sobre o Eloos Itatiaia
Independente e apartidário, o Eloos Itatiaia é uma plataforma permanente de negócios, relacionamento e conteúdo, que reúne iniciativa privada e poder público em torno do desenvolvimento econômico de Minas Gerais.
A cada dois meses, o projeto destaca um setor estratégico da economia, com reportagens multiplataforma e um evento presencial de encerramento em Belo Horizonte. Nas últimas edições, foram abordados temas como cidades e infraestrutura e mineração, reforçando o protagonismo mineiro na agenda econômica nacional.
Nesta edição, com foco no agronegócio, o encontro reuniu autoridades, nesta segunda-feira (1), no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte, empresários e especialistas para discutir temas considerados centrais para o desenvolvimento nacional.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.
