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Agro e infraestrutura: segundo painel discute gargalos do setor

Especialistas defendem investimentos em infraestrutura, segurança jurídica, inovação e capacitação para fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro

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Alexandre Lacerda, Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando; José Luiz Bellini Leite, Chefe Geral da Embrapa Gado de Leite; Nubia de Paula, Presidente da OAB-MG;Fernanda Pressinott, Colunista CNN; Ronaldo Caiado (PSD), Ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, no segundo painel do Eloos Itatiaia • Rodrigo Leite e Uarlen Valério | Itatiaia

O Eloos Itatiaia encerrou, nesta segunda-feira (1º), o ciclo de debates sobre agronegócio reunindo autoridades, lideranças do campo e especialistas para discutir os principais temas que impactam o setor. Com a participação de Alexandre Lacerda, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando; José Luiz Bellini Leite, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite; Núbia de Paula, presidente da OAB-MG; Fernanda Pressinott, colunista da CNN; e Ronaldo Caiado (União Brasil), ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, o segundo painel do seminário abordou os desafios estruturais enfrentados pelo produtor rural.

Mediado por Rita Mundim, o debate também destacou como ciência, tecnologia, crédito, gestão e infraestrutura podem ampliar a produtividade de áreas já consolidadas, promovendo mais eficiência e sustentabilidade. Entre os temas discutidos estiveram os gargalos em armazenagem, logística, dependência de insumos e qualificação da mão de obra, considerados fundamentais para um novo ciclo de crescimento baseado em inovação e inteligência operacional.

Segurança pública e governança

Ao abordar os entraves para o desenvolvimento do país, Ronaldo Caiado destacou a importância da segurança pública para o crescimento do agronegócio e da economia.

“O Brasil é a segurança alimentar e energética do planeta. Quando assumi o governo de Goiás, havia uma situação de insegurança generalizada. O produtor rural corria o risco de perder tudo para a criminalidade. Implementamos um combate inteligente ao crime, com batalhões especializados e mudanças no sistema penitenciário. Em poucos meses, eliminamos invasões de terras e assaltos a bancos. Tenho muito otimismo em uma governança que tenha autoridade moral para fazer as mudanças necessárias. É isso que pretendo levar para o país”, afirmou.

Segurança jurídica e redução da burocracia

Núbia de Paula ressaltou que a insegurança jurídica está entre os principais obstáculos ao fortalecimento do agronegócio brasileiro.

“Estamos falando de empreendedores que investem hoje para colher resultados meses ou anos depois. Sem segurança jurídica, não há garantia de retorno desse investimento. Defendemos três pilares: a segurança dos contratos, a redução da burocracia e a previsibilidade das regras. Muitos produtores enfrentam dificuldades com licenças e fiscalizações que atrasam suas atividades. Não defendemos o desmatamento, mas acreditamos que é possível racionalizar os processos de licenciamento sem comprometer a preservação ambiental”, explicou.

Segundo ela, o produtor rural já convive com as incertezas do clima e não deveria enfrentar também a imprevisibilidade do Estado.

Dia Mundial do Leite e os impactos do dumping

Em alusão ao Dia Mundial do Leite, celebrado nesta segunda-feira (1), José Luiz Bellini Leite comentou os impactos do dumping sobre os pequenos produtores brasileiros.

“Houve um processo que gerou uma competição desleal. Não podemos aceitar isso. O leite é um alimento estratégico e, em diversos países, esse mercado é protegido. Esperamos que os produtores sejam tratados de acordo com a importância que têm para o agronegócio nacional. O setor produz cerca de 35 bilhões de litros de leite por ano. O dumping é um problema relevante, mas precisamos discutir soluções estruturais e de longo prazo para toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Bellini também destacou a importância da competitividade para garantir rentabilidade aos produtores.

“Buscamos desenvolver informações e tecnologias que proporcionem produções mais eficientes, rentáveis e resilientes. Não trabalhamos sozinhos. Contamos com importantes parcerias para fortalecer o setor e contribuir para um país melhor”, disse.

Sucessão no campo e capacitação

Alexandre Lacerda chamou atenção para o desafio da formação de capital humano no agronegócio.

“Precisamos pensar na sucessão rural. É fundamental incentivar jovens a permanecerem no campo e contribuírem para a geração de riqueza. Precisamos investir em educação e capacitação para que as pessoas tenham perspectivas e qualidade de vida no meio rural”, afirmou.

Armazenagem e logística

Fernanda Pressinott destacou os déficits de infraestrutura, especialmente na armazenagem da produção agrícola.

“Cerca de 40% da produção fica a céu aberto, o que gera perdas e reduz oportunidades de comercialização. O produtor deveria ter condições de armazenar sua produção e vender no momento mais favorável. Os gargalos logísticos afetam diferentes cadeias, como grãos, leite e carne. Precisamos de investimentos públicos e privados, além de crédito mais acessível e seguro rural. Sem proteção adequada, o produtor fica vulnerável”, avaliou.

Segundo ela, os custos logísticos no Brasil ainda são superiores aos de países concorrentes, o que compromete a competitividade do setor.

Associativismo e orientação jurídica

Núbia de Paula também destacou o papel da OAB-MG na disseminação de conhecimento jurídico para os produtores rurais.

“A OAB está presente em diversas regiões do estado e possui comissões temáticas alinhadas às características econômicas de cada localidade. Entendemos que a capacitação dos produtores e o esclarecimento da sociedade sobre os avanços do agronegócio são fundamentais. Por isso, promovemos ações de orientação jurídica e esclarecimento de dúvidas”, explicou.

Pesquisa, inovação e transferência de tecnologia

José Luiz Bellini Leite ressaltou a importância das parcerias estratégicas para ampliar a competitividade do setor.

“A parceria com a Girolando tem contribuído para o melhoramento genético dos animais e, agora, avançamos também na edição genética para características de interesse econômico. Além da pesquisa, é essencial garantir que a tecnologia chegue ao produtor. Sem adoção tecnológica, não há inovação”, afirmou.

Segundo ele, a Embrapa mantém programas de transferência de tecnologia em diferentes estados, levando informações e soluções diretamente aos produtores rurais.

Bellini também enfatizou a necessidade de ampliar a qualificação profissional no campo.

“Precisamos formar mais pessoas para atender às demandas das novas tecnologias. Estamos focados na capacitação de mão de obra para aumentar a produtividade e a competitividade da cadeia leiteira”, disse.

O pesquisador ainda alertou para a importância dos investimentos em ciência e tecnologia.

“Tivemos dificuldades no financiamento das pesquisas no ano passado, mas buscamos novas fontes de recursos para cumprir nossa missão. Sem investimentos em ciência e tecnologia, não há como construir uma visão de futuro para o agronegócio”, afirmou.

Proteção ao setor leiteiro

Encerrando o debate sobre a cadeia do leite, Ronaldo Caiado defendeu medidas para fortalecer a produção nacional.

“Em Goiás, adotamos políticas que condicionaram incentivos fiscais ao cumprimento de regras de valorização da produção local. Precisamos garantir estabilidade para o setor e proteger o pequeno produtor rural. O leite não pode ser tratado apenas como moeda de negociação internacional; é um segmento estratégico para a economia e para a segurança alimentar do país”, concluiu.

Eloos Agro

No quarto ciclo do projeto Eloos Itatiaia, a Rádio Itatiaia e o portal Eloos promoveram uma rodada de debates, nos meses de abril e maio, sobre o desenvolvimento econômico de Minas do Brasil, desta vez com foco no agronegócio.

Nesta segunda-feira (1°), o ciclo de debates sobre o setor é encerrado com um evento em Belo Horizonte reunindo autoridades, lideranças do campo e especialistas para discutir os principais temas que movem o setor.

Sobre o Eloos Itatiaia

Independente e apartidário, o Eloos Itatiaia é uma plataforma permanente de negócios, relacionamento e conteúdo, que reúne iniciativa privada e poder público em torno do desenvolvimento econômico de Minas Gerais.

A cada dois meses, o projeto destaca um setor estratégico da economia, com reportagens multiplataforma e um evento presencial de encerramento em Belo Horizonte. Nas últimas edições, foram abordados temas como cidades e infraestrutura e mineração, reforçando o protagonismo mineiro na agenda econômica nacional.

Nesta edição, com foco no Agronegócio, o encontro reuniu autoridades, nesta segunda-feira (1), no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte, empresários e especialistas para discutir temas considerados centrais para o desenvolvimento nacional.

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Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.

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