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Dumping e custos altos desafiam produtores rurais

Setores de laticínios e soja lidam com queda de preços e dificuldades estruturais

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Produtores de leite enfrentam queda nos preços e aumento da concorrência com produtos importados no mercado brasileiro • Divulgação / Pexels

Os desafios econômicos, políticos e sociais já se consolidam como marcas deste ano. Entre os setores mais afetados, a produção de leite e toda a cadeia de laticínios enfrentam um cenário complexo, pressionados pela entrada de produtos importados. A prática de dumping, quando mercadorias são vendidas no Brasil a preços inferiores aos praticados no país de origem, tem impactado diretamente o mercado interno.

É o caso de produtos vindos do Uruguai e da Argentina, como destaca Guilherme Abrantes, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais.

“No ano passado, registramos altos índices de importações de produtos vindos dos nossos vizinhos argentinos e uruguaios. Em março, houve inclusive recorde de importações oriundas do Mercosul. Isso provocou uma queda significativa nos preços, tanto do produto final quanto ao produtor, afetando diretamente a economia e os custos de manutenção das empresas e do produtor rural. Hoje, tudo está interligado, e esse cenário tem dificultado bastante a atividade”, afirma.

Diante desse contexto, produzir com qualidade e reduzir custos se tornam objetivos centrais para o setor. Segundo Abrantes, o trabalho começa no campo.

“Há uma preocupação constante em fazer com que o produtor rural entenda a importância de produzir um alimento cada vez melhor. Quanto maior a qualidade do leite na origem, ainda na fazenda, maior a garantia de um produto final de excelência, com melhor rentabilidade. A disputa começa no campo, porque toda a cadeia está conectada”, explica.

Guilherme Abrantes, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais • Anderson Porto | Itatiaia
Guilherme Abrantes, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais • Anderson Porto | Itatiaia

Na produção de soja, os desafios seguem uma linha semelhante. Apesar de as chuvas regulares favorecerem a safra, entraves relacionados à infraestrutura e à economia continuam a limitar o desempenho do setor. É o que aponta o presidente da Aprosoja Minas Gerais, Fábio Sales Meirelles Filho.

“O principal problema hoje é a logística, somada à alta do diesel e à deficiência na armazenagem. São dificuldades que ainda pesam muito para o produtor brasileiro. Além disso, temos taxas de juros extremamente elevadas. Em alguns casos, quem contraiu crédito em dólar pode pagar menos do que quem tomou empréstimo em real, por conta da recente desvalorização da moeda americana”, detalha.

Fábio Sales Meirelles Filho, presidente da Aprosoja Minas Gerais • Anderson Porto | Itatiaia
Fábio Sales Meirelles Filho, presidente da Aprosoja Minas Gerais • Anderson Porto | Itatiaia

Essas questões, segundo especialistas e produtores, precisam ser equacionadas para garantir o avanço da produção, o desenvolvimento do setor e a segurança alimentar. Para o aposentado Renato Souza, o potencial do país é evidente.

“O Brasil é muito fértil e abundante. Em qualquer região, a produção é forte. Atendemos plenamente o mercado interno e ainda temos capacidade de exportar alimentos para outros países”, ressalta.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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