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Agro garante fartura e variedade alimentar no Brasil

Com exportações recordes, país reforça segurança alimentar; em Minas, café, queijo e cachaça se destacam

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Queijos de pequenos produtores de Minas Gerais
Queijo artesanal mineiro agrega valor ao leite e fortalece a renda no campo, consolidando Minas Gerais como referência em produção de qualidade e tradição no agro brasileiro • Rodrigo Resende/Divulgação

Com uma safra recorde de 350 milhões de toneladas em 2024/2025, o agronegócio brasileiro representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e assegura o abastecimento alimentar de brasileiros e consumidores em mais de 200 países. Em Minas Gerais, o setor responde por cerca de 44% das exportações estaduais, com destaque para o café.

Liderado por culturas como soja e café, além da pecuária, o agro tem impulsionado a geração de riqueza no país. Em Minas, esse protagonismo se reflete na forte participação nas exportações. O secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, destaca a relevância do setor: “O café é o principal produto exportado em Minas Gerais, representando 51% do total. Somos o maior produtor de café e de leite do Brasil, além de liderarmos a produção de alho, morango e batata, e ocuparmos a segunda posição na produção de laranja”, afirma.

secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tales Fernandes • Reprodução Itatiaia
secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tales Fernandes • Reprodução Itatiaia

Esse desempenho está diretamente ligado aos avanços científicos e tecnológicos no campo. O diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental), Marcello Brito, ressalta o papel da pesquisa no desenvolvimento do setor. “O Brasil estruturou políticas públicas voltadas à ciência e tecnologia no agronegócio, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais. O melhoramento genético, o aumento da produtividade por hectare, o uso adequado de defensivos e a irrigação permitem até três safras por ano, reduzindo a dependência do regime de chuvas”, explica.

Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental) • Reprodução Itatiaia
Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental) • Reprodução Itatiaia

Agricultura tropical

O protagonismo brasileiro é resultado de investimentos consistentes na agricultura tropical. Áreas antes consideradas improdutivas, como o Cerrado, foram transformadas em regiões altamente férteis. Segundo Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar e vice-presidente da CNA, a evolução foi significativa: “Nenhum país tropical fez o que o Brasil realizou nas últimas décadas. Saímos de solos de baixa fertilidade para nos tornarmos grandes produtores de grãos e proteínas”, afirma.

Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia
Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia

Atualmente, o domínio tecnológico garante competitividade ao país, com produção em larga escala e custos mais baixos. Fernandes também destaca avanços sanitários que ampliaram o acesso a mercados internacionais, como a retirada da vacinação contra a febre aftosa. “Essa conquista demonstra a capacidade de controle sanitário do estado e do país. Hoje, Minas exporta mais de 220 produtos para mais de 167 países”, diz.

Minas Gerais

A diversidade produtiva é uma marca de Minas Gerais, que combina commodities com produtos de alto valor agregado. A produção de queijo artesanal é um exemplo tradicional dessa estratégia. O produtor Delmar Marcel fabrica cerca de 300 queijos por mês, comercializados por valores que podem chegar a R$ 150 o quilo.

“O queijo agrega até 400% de valor ao leite. Enquanto o produtor recebe pouco pela venda do leite in natura, a transformação permite maior renda e melhores condições de vida”, afirma.

O produtor Delmar Marcel fabrica cerca de 300 queijos por mês, comercializados por valores que podem chegar a R$ 150 o quilo • Anderson Porto | Itatiaia
O produtor Delmar Marcel fabrica cerca de 300 queijos por mês, comercializados por valores que podem chegar a R$ 150 o quilo • Anderson Porto | Itatiaia

O reconhecimento do queijo artesanal como patrimônio cultural imaterial ampliou sua valorização no mercado. Outro exemplo é a produção de cachaça. A transformação da cana-de-açúcar em cachaça de alambique pode multiplicar o valor da matéria-prima em até 20 vezes.

Segundo o gestor David Lima, o controle da produção é essencial para garantir qualidade. “A cana precisa ser processada em até 24 horas após o corte. Produzir a própria matéria-prima garante maior controle e qualidade à bebida”, explica.

A cachaça é o destilado mais consumido no Brasil e um dos principais produtos do agronegócio familiar. O setor movimenta mais de R$ 15 bilhões e gera cerca de 600 mil empregos. Minas Gerais lidera o segmento, concentrando aproximadamente 40% das cachaçarias do país e ampliando sua presença em mercados internacionais, como Estados Unidos e Europa.

Oferta mundial de alimentos

Em um cenário global de instabilidade, o Brasil desempenha papel estratégico no abastecimento mundial. Estima-se que a produção agropecuária nacional alimente cerca de 900 milhões de pessoas diariamente.

Apenas entre 30 e 40 países conseguem produzir alimentos suficientes para consumo interno e ainda exportar excedentes, e o Brasil está entre eles. Segundo Marcello Brito, o país passou por uma transformação significativa: “Antes importávamos carne bovina; hoje somos um dos maiores exportadores do mundo. Também lideramos a produção global de soja, superando os Estados Unidos”, destaca.

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Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.