Protagonista na produção de alimentos, Brasil enfrenta entraves logísticos
Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental), detalha as potencialidades e os desafios do agro brasileiro

O Brasil se consolidou como um dos principais protagonistas na produção global de alimentos, figurando entre as quatro maiores potências do setor ao lado de Estados Unidos, China e Índia. A produção nacional supera 160 milhões de toneladas anuais, volume suficiente para alimentar cerca de 900 milhões de pessoas, considerando o consumo interno e as exportações de grãos e carnes.
Esse cenário coloca o país em posição de destaque no que se refere à segurança alimentar. Segundo Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental), o Brasil apresenta características distintas em relação a outras nações.
“O Brasil nunca enfrentou uma crise alimentar como as vividas por países como Alemanha, Estados Unidos — durante a crise de 1929 — ou China, em períodos de instabilidade histórica. Por isso, o conceito de segurança alimentar nesses países é diferente do nosso. É difícil encontrar uma nação com nível socioeconômico semelhante ou superior ao do Brasil que tenha custos de alimentos tão baixos”, afirma.
Fatores climáticos
De acordo com o especialista, as condições climáticas favoráveis são um dos principais fatores que impulsionam o agronegócio brasileiro. Ele ressalta que o país está entre cerca de 30 a 40 nações no mundo capazes de produzir todo o alimento de que necessitam e ainda exportar excedentes.
“Em um universo de aproximadamente 200 países, entre 160 e 170 são importadores de alimentos. O Brasil está entre os poucos exportadores, o que reforça sua relevância no cenário global”, explica.
Desafios estruturais
Apesar do desempenho positivo, Brito aponta desafios estruturais. Um dos principais entraves é a ausência de um plano nacional de fertilizantes plenamente eficiente, insumo essencial para a produção agrícola.
“É significativo que um dos maiores produtores de alimentos do mundo ainda dependa de cerca de 85% dos fertilizantes importados. Essa dependência está diretamente relacionada ao chamado custo Brasil. O país levou mais de uma década para lançar seu plano nacional de fertilizantes e, mesmo após sua implementação, observa-se o fechamento de plantas industriais no setor”, destaca.
Além disso, gargalos logísticos continuam limitando o potencial de crescimento do agronegócio. Problemas como a deficiência na infraestrutura portuária e a baixa integração de modais, especialmente ferrovias e hidrovias, são apontados como entraves relevantes.
“Países menores, como a Alemanha, possuem transporte hidroviário muito mais desenvolvido do que o Brasil. No caso das ferrovias, a diferença é ainda mais expressiva. Dentro da porteira, o produtor brasileiro é altamente eficiente, possivelmente entre os melhores do mundo. No entanto, antes e depois da produção, dos insumos, na industrialização e na logística, ainda enfrentamos limitações estruturais”, conclui.

Confira a reportagem completa:
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.