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Agro enfrenta desafio estrutural na capacidade de armazenagem de grãos

Projeção de safra recorde acende alerta para gargalos logísticos e de infraestrutura no armazenamento

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Capacidade de armazenagem e expõe gargalos logísticos no campo brasileiro • Pexels/Banco de imagem

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos no Brasil cresceu 429% nas últimas décadas. Para a safra 2025/26, a estimativa é de um novo recorde, com 356,3 milhões de toneladas. Apesar do avanço, um problema estrutural segue limitando o setor: a insuficiência na capacidade de armazenagem.

A dificuldade para estocar a produção envolve desde desafios logísticos e de infraestrutura em larga escala até questões técnicas e de custo nas propriedades rurais. Para Marcello Brito, diretor acadêmico da FDC Agroambiental, o cenário é preocupante e pode gerar impactos significativos na economia.

“Se, por exemplo, a China, que compra cerca de 70% da soja exportada pelo Brasil, decidir interromper temporariamente as compras durante o pico da safra, não teríamos onde armazenar essa produção. Seria uma tragédia agronômica, social, trabalhista e econômica”, afirma.

Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental) • Reprodução Itatiaia
Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral (FDC Agroambiental) • Reprodução Itatiaia

Além de produzir, o país precisa avançar na capacidade de estocagem para garantir maior eficiência na comercialização. Brito destaca que cooperativas do Sul, especialmente no Paraná, já apresentam alto nível de estrutura nesse aspecto, o que contribui para uma gestão mais profissional das vendas.

O especialista também cita como exemplo a Cooxupé, cooperativa de café em Minas Gerais, reconhecida pela organização e capacidade técnica. 

“Se fosse um país, estaria entre os maiores produtores de café do mundo, com elevado grau de especialização, inclusive em armazenagem e na definição do melhor momento de venda”, explica.

A necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento é reforçada por Antônio de Salvo, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente do Sistema Faemg/Senar. Segundo ele, armazenar permite ao produtor negociar em condições mais favoráveis.

“Precisamos ter a opção de guardar a produção, seja em cooperativas ou armazéns, para vender no momento mais adequado. Hoje, muitas vezes, o produtor precisa escoar rapidamente, o que reduz seu poder de negociação”, destaca.

Para Salvo, investimentos em infraestrutura beneficiam toda a sociedade. 

“Melhorar a estrutura do país impacta diretamente o custo dos alimentos. Isso é positivo não apenas para o produtor, mas para toda a população”, conclui.

Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia
Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.