Falta de mão de obra no campo prejudica produtividade
Migração para as cidades e envelhecimento da população rural estão entre os principais fatores da escassez

A escassez de mão de obra no campo já impacta diretamente a produtividade. Enquanto o agronegócio cresce, aumenta também a dificuldade de preencher vagas de trabalho. O envelhecimento da população rural e a migração para áreas urbanas estão entre os principais fatores apontados para esse cenário. Produtores também mencionam a redução do interesse por atividades no campo e a dependência de programas sociais como desafios adicionais.
Gestor de uma fazenda em Pitangui dedicada à produção de cachaça, David Lima relata a dificuldade de contratação.
“A mão de obra está cada vez mais escassa, com uma faixa etária mais elevada. A produção de cachaça de alambique é muito manual e exige trabalhadores qualificados. Existem implementos, mas ainda não são tão eficientes, o que aumenta a necessidade de trabalho manual”, afirma.

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que a população ocupada no agronegócio brasileiro chegou a 28,58 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2025, o equivalente a 26,35% do total de empregos do país. Ao mesmo tempo, cerca de 87% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que reduz o contingente disponível para o trabalho rural.
Produtor de alho e cenoura em São Gotardo, José Elvis da Cunha destaca que a colheita é a etapa mais crítica.
“O mais difícil é a colheita, porque exige rapidez e resistência. Se não retirarmos a produção do campo a tempo, podemos perder tudo. No barracão é mais tranquilo, mas no campo precisamos agir rápido”, explica.
Ele também demonstra preocupação com a sucessão familiar. “Estou ficando cansado e, em poucos anos, pretendo passar a atividade para o meu filho e atuar apenas na retaguarda”, diz.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas cerca de 30% das propriedades familiares no agronegócio são transferidas para a segunda geração, e somente 5% chegam à terceira. Em Caeté, o produtor de queijo Delmar Macedo afirma que a continuidade dos negócios é uma preocupação, especialmente diante da saída dos jovens do campo. Com a filha morando na Europa, ele já avalia o futuro da produção.
“Às vezes, as pessoas da cidade não valorizam o produtor rural, mas somos nós que garantimos o alimento na mesa. Enquanto muitos ainda estão dormindo, já estamos trabalhando desde cedo para produzir leite e queijo”, afirma.
Para ele, incentivar novas gerações é essencial para enfrentar o problema.
“A falta de mão de obra não é só no leite, mas em toda a cadeia produtiva. Precisamos abrir as propriedades para escolas, ensinar as crianças e despertar o interesse. Assim, podemos formar novos profissionais para o campo”, defende.

Confira a reportagem completa:
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
