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Produtor rural amplia uso de tecnologia, mas gestão de dados ainda é desafio no campo

Guilherme Raucci, professor da Fundação Dom Cabral, destaca avanço da inovação no agronegócio e aponta que volume crescente de informações exige nova postura dos produtores

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Guilherme Raucci, professor do Centro Agroambiental da Fundação Dom Cabral. • Itatiaia

O agronegócio brasileiro tem avançado rapidamente na adoção de tecnologias dentro das propriedades rurais, mas ainda enfrenta desafios quando o assunto é gestão e utilização estratégica dos dados gerados no campo. A avaliação é de Guilherme Raucci, professor do Centro Agroambiental da Fundação Dom Cabral, durante participação no evento Eloos Itatiaia Agro, que se encerra nesta segunda-feira (1º).

Ao ser questionado sobre o nível de gestão dos produtores rurais brasileiros, Raucci afirmou que a inovação no setor vai muito além de drones, máquinas autônomas e inteligência artificial. Segundo ele, os avanços também estão presentes no desenvolvimento de sementes, defensivos biológicos e técnicas produtivas que transformaram regiões antes consideradas improdutivas.

De acordo com o professor, o avanço da gestão rural tem sido impulsionado pelos desafios enfrentados pelos produtores. Questões como custos de produção, margens de lucro, instabilidade climática e conflitos internacionais exigem cada vez mais decisões baseadas em informação. Raucci relatou que, em visitas recentes a propriedades rurais pelo país, percebeu o surgimento de novas preocupações no setor. Entre elas, os possíveis impactos das chamadas canetas emagrecedoras sobre os hábitos de consumo da população.

"Pela primeira vez ouvi um produtor preocupado com o efeito das canetas emagrecedoras no consumo de arroz. Já existem estudos apontando que a redução da ingestão calórica pode impactar padrões de consumo", comentou.

Segundo ele, a transformação digital no campo avança à medida que mais tecnologias passam a integrar a rotina das fazendas. O resultado é a geração de grandes volumes de dados, que precisam ser organizados e interpretados para apoiar a tomada de decisões. O especialista destaca, porém, que a realidade do agronegócio apresenta desafios específicos. Diferentemente de uma indústria, onde os processos se repetem diariamente em ambientes controlados, a produção agrícola ocorre a céu aberto e está sujeita a inúmeras variáveis. "No agro, cada safra é uma safra. Organizar esse banco de dados e extrair conclusões leva mais tempo", explicou.

Apesar das dificuldades, Raucci afirma que o setor já apresenta avanços importantes. Tecnologias como agricultura de precisão e aplicação de insumos em taxas variáveis já fazem parte da rotina de muitos produtores brasileiros, permitindo decisões mais assertivas e aumento da eficiência produtiva.

"Ainda existe dificuldade para gerir todas essas informações, porque o produtor está preocupado em plantar, colher e executar a operação. Mas já vemos muitos produtores utilizando dados para tomar decisões cada vez mais estratégicas", concluiu.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.