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Especialistas da indústria defendem debate amplo sobre o fim da escala 6x1

Representantes do setor pedem que a legislação considere as especificidades de cada segmento e defendem jornadas mais flexíveis

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O segmento que mais dispõe de vagas em aberto é o da indústria na função de alimentador de linha de produção
Setor industrial defende debate amplo sobre a redução da jornada de trabalho • Pixabay

O setor industrial defende que a discussão sobre o fim da escala 6x1 seja conduzida de forma ampla e aprofundada, levando em consideração as particularidades de cada segmento e a viabilidade financeira de uma eventual redução da jornada de trabalho. Entidades representativas da indústria avaliam que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pode impactar também setores que já adotam outros modelos de jornada, como as escalas 5x2 e 12x36.

Diante desse cenário, representantes da indústria defendem a adoção de jornadas mais flexíveis, definidas por meio de negociações entre sindicatos patronais e de trabalhadores de cada categoria. Em entrevista à CNN, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a diversidade das atividades econômicas exige soluções específicas para cada realidade.

“A realidade da agricultura não é a mesma da saúde, ou mesmo da indústria e do comércio. O vendedor que ganha comissão em uma loja e quer trabalhar no sábado, por exemplo, quer vender mais, porque é um bom dia de vendas. Outro prefere não trabalhar. A pecuária leiteira não é igual à pecuária de corte, que não é igual à produção de soja. Enfim, essa é uma discussão que tem que ser feita com responsabilidade e equilíbrio”, afirma.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf • Anderson Porto | Itatiaia
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf • Anderson Porto | Itatiaia

O presidente do Sindicato das Indústrias de Carne, Derivados e Frios de Minas Gerais (Sinduscarne) e diretor da Tropeira Alimentos, Pedro Braga, também defende que eventuais mudanças na jornada sejam definidas por meio da negociação coletiva.

“A gente defende a negociação entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal. Isso deve ser feito tanto no nível da indústria quanto no dos trabalhadores. Podemos flexibilizar alguns setores, outros não. Podemos negociar isso diretamente com as empresas e com os sindicatos para encontrar a melhor solução possível tanto para os trabalhadores quanto para os empregadores”, destaca.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Carne, Derivados e Frios de Minas Gerais (Sinduscarne) e diretor da Tropeira Alimentos, Pedro Braga • Anderson Porto | Itatiaia
Presidente do Sindicato das Indústrias de Carne, Derivados e Frios de Minas Gerais (Sinduscarne) e diretor da Tropeira Alimentos, Pedro Braga • Anderson Porto | Itatiaia

Representando um dos setores que emprega mais de três milhões de trabalhadores no país, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá, afirma que a redução da jornada não resolve o problema da escassez de mão de obra, um dos principais desafios da construção civil. Para ele, o debate deve priorizar a modernização das relações de trabalho.

“A jornada em discussão não resolve esse problema. É preciso tratar esse tema com mais maturidade e amplitude, entendendo que a relação de trabalho mudou. A CLT está aí, mas precisamos pensar em uma nova forma de relação de trabalho que modernize a legislação e acompanhe os jovens que estão entrando no mercado. Um dado importante é que, se essa jornada passar de seis por um para cinco por dois, a construção civil vai precisar de cerca de 270 mil trabalhadores a mais para manter o nível atual de produção, além de enfrentar um aumento entre 12% e 14% nos custos”, explica.

Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá • Anderson Porto | Itatiaia
Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá • Anderson Porto | Itatiaia

 

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.