Déficit de infraestrutura gera impacto financeiros e amplia desafios para o setor industrial
Problemas de estrutura e despesas com transporte elevam os custos da indústria e afetam toda a cadeia produtiva até o consumidor

Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC), o déficit de infraestrutura no Brasil gera um impacto financeiro estimado em R$ 284 bilhões por ano.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (SETCEMG) e vice-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (FETCEMG), Antônio Luis da Silva Junior, explica que as deficiências na estrutura logística aumentam as despesas do setor.
“A falta de infraestrutura adequada, estradas modernas, postos avançados de recolhimento para poder fazer multimodalidade, portos pouco produtivos provocam aumento do custo Brasil. O país já tem um custo elevadíssimo em função dessas deficiências. Nós temos muita estrada, mas poucas com qualidade”, afirma.
Despesas elevadas
O gasto com combustíveis é outro desafio e pode representar entre 32% e 45% do valor de uma viagem de caminhão. Segundo Antônio, o aumento do teor de biodiesel no diesel, adotado pelo governo na tentativa de reduzir os preços nas bombas, também elevou os gastos das empresas.
“Com a entrada do biodiesel no combustível, o diesel se tornou degradável, um problema para armazenar. Então, consome mais, cria mais problemas de manutenção, principalmente com filtros e bicos. Existe biodiesel bom, é só tirar a mistura. Mas o desafio que nós temos aqui, infelizmente, é em função da tributação. É um monte de imposto, um sobre o outro, sobrepondo um ao outro”, explica.

O presidente da transportadora Transpedrosa, Sérgio Pedrosa, afirma que as despesas relacionadas à operação dos caminhões também são elevadas.
“O caminhão tem um custo fixo, que é o investimento que a empresa faz, ou seja, o motorista e a administração. O custo, independentemente de o caminhão fazer uma viagem ou duas viagens, existe. Então, a despesa fixa é muito alta e o custo variável também acompanha, porque, quanto pior a estrada, mais se gasta com óleo diesel, pneu e manutenção”, explica.
Sérgio também afirma que o tempo necessário para a entrega de cargas tem aumentado em Minas Gerais.
“A cada dia e ano que se passa, a velocidade média de cada caminhão está diminuindo. De Belo Horizonte para Ipatinga, por exemplo, são de 220 a 240 quilômetros. E um caminhão gasta, em média, até oito horas para chegar, se não tiver acidente ou nenhuma obra acontecendo. No caso de São Paulo, uma experiência que vivenciei recentemente, do aeroporto de Campinas até São José do Rio Preto também são 240 quilômetros. E dá para fazer em três horas”, conta.

Juliana Gagliardi, coordenadora de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), alerta que os impactos provocados pelos problemas de infraestrutura não afetam apenas os setores ligados à indústria, mas também chegam ao consumidor.
“Quando se tem um empecilho logístico, o fato de pressionar o custo de frete, a demora para chegar um produto para outro setor ou até mesmo para um supermercado, para a venda, para o comércio, para o serviço, isso tudo tende a pressionar o preço, seja de produção ou de venda. E, consequentemente, isso vai ser repassado ao consumidor final”, afirma.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



