Brasil perde competitividade na indústria com altos custos de produção
Custo Brasil elevado encarece produtos nacionais e dificulta a disputa com concorrentes internacionais

Atrasado em relação a outros países, o Brasil enfrenta altos custos de produção. Esse ambiente impacta diretamente os mercados interno e externo. Com isso, os produtos fabricados no país perdem espaço para importações mais baratas e enfrentam dificuldades para competir no mercado global.
Mario Sergio Telles, diretor de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que o cenário prejudica a competitividade brasileira.
“Ao ter mais custo, as nossas empresas ficam menos competitivas. Então, a gente não exporta e perde o mercado interno para os importados. O consumidor brasileiro paga preços mais altos, compra produtos industriais brasileiros e também paga mais. O Custo Brasil, de R$ 1,7 trilhão por ano, retira a competitividade e significa preços mais altos que a população brasileira paga para consumir produtos e serviços”, explica.

No cenário mundial, países menores que o Brasil têm se mostrado mais atraentes para algumas empresas. Segundo o Departamento de Migrações do Paraguai, até maio de 2026, mais de 16 mil brasileiros haviam conseguido autorização para morar no país vizinho. Além disso, mais de 320 empresas estrangeiras estão cadastradas para abrir filiais no país, e 70% delas são brasileiras.
Para o economista e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), Jorge Arbache, a atratividade está relacionada, entre outros fatores, às menores taxas de juros.
“O Paraguai, com taxas de imposto muito menores do que o Brasil e com muita energia disponível, está atraindo muita empresa brasileira para ir para lá. É claro que não podemos comparar o Brasil com o Paraguai. Muitos negócios que têm no Brasil não funcionam no Paraguai, porque requerem ecossistemas, e muitos deles não existem lá.
Então, o que migra para lá são negócios muito específicos. Estamos longe de poder generalizar o Paraguai como uma solução. Essa é uma visão simplesmente errada. Mas, ainda assim, temos um caso em que condições de custos mais atrativas para determinados negócios levaram, no final das contas, a que várias empresas brasileiras se mudassem para lá. Isso não deveria estar acontecendo. Não deveria. Deveria ser ao contrário. O Brasil deveria estar atraindo empresas da região, já que é a maior economia da região”, discorre.

Concorrência
Com alta capacidade de produção em massa, baixos custos e logística eficiente, a China se consolidou como uma das principais concorrentes do Brasil. O presidente da Suggar, empresa de eletrodomésticos, Leandro Costa, afirma que esse cenário afeta a indústria brasileira e reduz sua competitividade em relação a outros países.
“No fim, os nossos produtos perdem competitividade na exportação. Por isso, temos que arcar com todo esse Custo Brasil, com dificuldade de mão de obra, juros altos, dificuldade de logística e, frente à economia chinesa, por exemplo, que eles só ajudam o empresário a exportar”, afirma.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



