CNI eleva projeção de crescimento da indústria em 2026
Perspectiva mais otimista da entidade se deve, sobretudo, pelos resultados da indústria extrativa

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou a projeção de crescimento do setor em 2026 de 1,6% para 2,1%, segundo o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). A perspectiva mais otimista da entidade se deve, sobretudo, pelos resultados da indústria extrativa.
Segundo a CNI, o segmento é menos sensível à alta taxa de juros, atualmente em 14,25% ao ano, e pode ser impulsionada pelo aumento da produção de petróleo. Na avaliação da entidade, a indústria extrativa deve avançar 9,1% em 2026 e não mais 7,8%, conforme a previsão anterior.
Por outro lado, a indústria de transformação deve ser comprometida pela entrada expressiva de produtos importados, custos crescentes em decorrência da guerra no Oriente Médio, e juros altos. Ainda assim, a CNI aumentou de 0,3% para 0,6% a expectativa para o resultado do setor.
Segundo Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, a revisão da expectativa de crescimento da indústria se deve ao resultado dos derivados de petróleo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, e automóveis. “Contudo, é importante destacar que a maior parte do setor continua enfrentando dificuldades, uma vez que apenas sete dos 24 segmentos estão crescendo”, disse.
A indústria da Construção Civil, embora mais afetada pelo ciclo de juros altos, teve a projeção de crescimento revista de 1,3% para 1,5%. Segundo a CNI, o segmento é impulsionado por iniciativas do governo, como a ampliação do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), mudanças no crédito imobiliário e investimentos em infraestrutura.
Previsão do PIB segue em 2%
A entidade da Indústria ainda manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026. A previsão é motivada pela resiliência do setor de serviços e perspectivas mais positivas para a agropecuária e indústria, que devem influenciar positivamente a atividade econômica.
Por outro lado, juros e custos elevados, além do aumento das importações, devem prejudicar o crescimento da economia. “O cenário econômico de 2026 é marcado pelo crescimento moderado, sustentado principalmente pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Em contrapartida, a combinação entre política monetária restritiva, condições financeiras adversas, inflação elevada e persistência das fragilidades fiscais continua limitando uma recuperação”, explicou Telles.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



