Indústria brasileira se reinventa para enfrentar o dumping
Setor industrial enfrenta desafios para produzir no Brasil e competir com produtos importados mais baratos

O dumping é um dos grandes desafios enfrentados pela indústria nacional. A prática, caracterizada pela venda de produtos importados a preços abaixo do custo de produção, pode sufocar a produção brasileira. Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado em 2025, a participação de produtos estrangeiros no consumo dos brasileiros chegou a 26,7%, o maior patamar dos últimos 20 anos.
Para combater a prática, o Brasil já adota mais de 140 medidas antidumping, que impõem tarifas sobre determinados produtos importados de países como China, Alemanha, Estados Unidos e Canadá. Mario Sergio Telles, diretor de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca a importância de proteger a indústria nacional.
“A questão da defesa comercial é urgente. Nós estamos sofrendo diversas práticas de concorrência desleal. O dumping, o contrabando, o subfaturamento, uma série de ações que levam à concorrência desleal estão sendo praticadas, e isso tem uma razão muito clara.
O mundo, principalmente pós-pandemia, se fechou. Os Estados Unidos estão com uma política tarifária muito protecionista. A Europa também se fechou, todos os mercados se fecharam. E existe uma produção enorme, principalmente nos países asiáticos, e essa produção precisa ter um destino”, discorre.

O professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e ex-diretor do Banco Mundial, Carlos Braga, explica por que os produtos chineses são, em muitos casos, mais competitivos. Segundo ele, o país realizou investimentos significativos em áreas estratégicas.
“A China, através de um processo de desenvolvimento ao longo das últimas quatro décadas, fez investimentos dramáticos em infraestrutura, em tecnologia e em capacidade produtiva”, conta.

Enquanto produzir no Brasil continuar caro, em razão do Custo Brasil, os produtos importados tendem a parecer mais baratos. Juliana Gagliardi, coordenadora de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), defende a redução dos custos e a qualificação da cadeia produtiva brasileira.
“Políticas de longo prazo são necessárias. E o indicador desenvolvido para a FIEMG mostra que é muito importante que o sistema regulador, as normas do Brasil, caminhem juntos para reduzir o Custo Brasil”, afirma.

Inovações no setor industrial
Atualmente, existem diversas formas de acompanhar tendências e buscar inovação para aumentar a competitividade da indústria. Em Minas Gerais, o Mind + Indústria, do Sebrae, é uma das iniciativas voltadas a esse objetivo. O presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, destaca a importância da capacitação dos empresários diante da concorrência internacional.
“Já existem vários programas para que os empresários possam ter uma capacitação diferenciada e enxergar a concorrência que eles têm, não só local, nacional, mas até internacional. A gente fala muito isso hoje. Concorre com uma indústria lá da China, lá de Taiwan, lá da Coreia do Sul, do Japão. Então, a concorrência é muito forte, e o Sebrae trabalha juntamente com as entidades do setor da indústria”, explica.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



