Leite, arroz, açúcar, café e óleo puxam queda do preço da cesta básica em dezembro

São Paulo segue com o custo mais elevado do país, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)

Redução no custo da cesta básica foi impulsionada por uma combinação de maior oferta interna e retração na demanda externa

O bolso do consumidor brasileiro encontrou um alívio em itens fundamentais da dieta básica no fim de 2025. Segundo a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quinta-feira (8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), cinco dos principais produtos do prato feito registraram queda de preço em dezembro.

Apesar do recuo em nove capitais — com destaque para as quedas em Porto Velho (-3,60%) e Boa Vista (-2,55%) —, o valor do conjunto de alimentos básicos ainda subiu em outras 17 cidades no último mês do ano. São Paulo encerrou o período como a capital mais cara para se alimentar, com a cesta custando R$ 845,95, seguida por Florianópolis (R$ 801,29) e Rio de Janeiro (R$ 792,06).

Os protagonistas da queda

A redução no custo da cesta básica foi impulsionada por uma combinação de maior oferta interna e retração na demanda externa. Confira os destaques:

  • Arroz agulhinha: Ficou mais barato em 23 das 27 capitais, com destaque para Maceió (-6,65%) e Vitória (-6,63%). O menor volume exportado e a demanda retraída favoreceram a baixa no varejo.
  • Leite integral: Com maior oferta interna e importações em alta, o preço caiu em 22 capitais, chegando a uma variação de -5,61% em Curitiba.
  • Café em pó: Registrou queda em 20 cidades. O recuo é explicado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos — grandes compradores do grão brasileiro — e incertezas nas negociações, o que reduziu as exportações.
  • Açúcar e Óleo de soja: O açúcar baixou em 21 capitais por maior oferta no varejo, enquanto o óleo seguiu a tendência de oferta global da soja, caindo em 17 cidades, especialmente em Belo Horizonte (-6,68%).

Salário mínimo x custo de vida

O estudo revela que, apesar das quedas pontuais, a distância entre a renda e o custo de vida permanece elevada. De acordo com o DIEESE, o salário mínimo ideal para manter uma família de quatro pessoas em dezembro de 2025 deveria ter sido de R$ 7.106,83 — o equivalente a 4,68 vezes o piso nacional de R$ 1.518,00.

O trabalhador que recebe o salário mínimo comprometeu, em média, 48,49% de seu rendimento líquido apenas para adquirir a cesta básica em dezembro. O tempo médio de trabalho necessário para comprar os itens foi de 98 horas e 41 minutos, uma leve alta em relação aos 98 horas e 31 minutos registrados em novembro.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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