Ibovespa toca os 190 mil pontos com falas de Galípolo e dados dos EUA

Bolsa brasileira renova otimismo com cautela do presidente do BC com a condução da política monetária

Bolsa é impulsionada pelo bom desempenho da Vale e da Petrobras

O Índice Bovespa (Ibovespa), principal indicador do mercado de ações brasileiro, renovou seu recorde intradiário e tocou os 190 mil pontos pela primeira vez na histórica, por volta das 13h35 desta quarta-feira (11). O termômetro do mercado de capitais brasileiro tem um dia de ganhos com as falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os dados do emprego nos Estados Unidos no radar de investidores.

O indicador perdeu um pouco de fôlego com o decorrer do pregão e, por volta de 16h22 operava com uma alta de 2,12% aos 189.872,73 pontos. No mesmo sentido, o dólar opera em baixa ante o real, com uma desvalorização de 0,18% cotado a R$ 5,18.

A bolsa brasileira é impulsionada pelos “blue chips”, empresas de maior peso no mercado. A Vale (VALE3), chegou a ter uma valorização de 3%, a R$ 90, durante a sessão. Nesta quinta-feira (12), a mineradora vai divulgar os resultados consolidados do quarto trimestre de 2025, logo após o fechamento do mercado.

A Petrobras (PETR3; PETR4) também opera em alta no dia. A petrolífera brasileira avança 3,71% a R$ 41,37 nas ações ordinárias, e 2,78% a R$ 38,39 nas ações preferenciais. A alta é impulsionada pelos bons resultados operacionais da companhia, que bateu recorde de produção e ampliou as exportações em 2025. A empresa também é favorecida pelo preço do petróleo.

No noticiário, o mercado repercute as falas do presidente do BC, que reafirmou que o momento é de calibragem da política monetária e reforçou a aposta pelo corte de juros em março. Porém, ele reforçou a cautela da autoridade monetária na espera por mais dados que dê confiança para o início do ciclo de afrouxamento da Selic.

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“Neste ambiente onde você tem menos confiança, dado o tamanho da incerteza em projeções, a atitude do Copom [Comitê de Política Monetária] foi ser mais conservador ao esperar 45 dias para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança”, disse Galípolo em evento do BTG Pactual.

No noticiário internacional, o mercado esteve atento aos dados da geração de emprego nos EUA. O relatório do Payroll mostra que a economia norte-americana adicionou 130 mil empregos em janeiro, bem acima do esperado que era uma adição de 65 mil. Com isso, a taxa de desemprego recuou na margem, de 4,4% para 4,3%. Os ganhos de emprego foram concentrados no setor de Educação e saúde, que adicionou 137 mil empregos, seguido de empregos na construção, com 33 mil empregos.

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, o resultado reforça a visão de que o Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, manterá a taxa de juros inalterada na reunião de março.

“O resultado de hoje aponta para um mercado de trabalho não tão frágil, com sinais de melhora na demanda por trabalho, na margem. Entretanto, convém notar que com o maior controle imigratório, o saldo de emprego necessário para manter a taxa de desemprego constante é bem menor do que observado até 2024, o que ajuda a explicar porque se vê a queda na taxa de desemprego mesmo com um ritmo mais fraco de geração de emprego”, disse o especialista.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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