Indústria mineira prega cautela com acordo entre União Europeia e Mercosul

Acordo aprovado pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira (9) deve ser assinado na próxima segunda-feira (12)

Fiemg recebeu a embaixadora da União Europeia, Marian Schuegraf, em setembro de 2025, para debater o acordo

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia que a o avanço do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, aprovado nesta sexta-feira (9), é positivo. Porém, a entidade prega cautela e atenção aos impactos que ele pode ter pelo setor, exigindo acompanhamento e cuidados para sua implementação.

Segundo a Fiemg, Minas Gerais possui uma relação comercial superavitária com o bloco europeu - quando vende (exporta) mais do que compra (importa). Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para os europeus somaram cerca de US$ 31 bilhões, enquanto as importações chegaram em US$ 17,62 bilhões.

O principal item da pauta exportadora é o café, cerca de 58% dos produtos embarcados para o Velho Continente. Porém, após a commodity agrícola, os principais itens são minério de ferro (9%) e ferroligas (8%). Já as importações envolvem, majoritariamente, máquinas e equipamentos (27%), produtos farmacêuticos (11%) e itens do setor automotivo (9%).

Apesar de celebrar o acordo, a Fiemg destaca a necessidade de atenção à implementação do tratado, especialmente para segmentos mais sensíveis à concorrência externa, além de atividades que precisam cumprir exigências sanitárias e regulatórias específicas.

“O acordo entre a União Europeia e o Mercosul representa uma oportunidade relevante para Minas Gerais ampliar sua inserção em um mercado estratégico, com alto valor agregado. No entanto, é fundamental que a implementação considere períodos de adaptação e instrumentos de apoio à competitividade, para que a indústria mineira possa se fortalecer, gerar empregos e agregar valor às exportações”, disse o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

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O tratado entre o Mercosul e União Europeia busca criar a maior área de comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares. Negociado há mais de 25 anos, o acordo ganhou força com a pressão do Brasil desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu seu terceiro mandato em 2023.

O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.

Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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