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Galípolo reafirma calibragem da política monetária e compara BC com 'transatlântico'

Presidente do Banco Central destacou que juros não foram cortados em janeiro por falta de 'confiança' nos dados

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Gabriel Galípolo assumirá diretoria de Política Monetária do Banco Central
Fala ocorre no momento em que o Copom sinalizou o primeiro corte de juros para a reunião de março • Pedro França | Agência Senado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou que a autoridade monetária está em um momento de calibragem da taxa básica de juros e comparou a entidade com um “transatlântico que se move de maneira comedida e segura”. A fala ocorre no momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou o primeiro corte na taxa de juros para a reunião de março.

Atualmente em 15% ao ano, a Selic deve cair para até 12,25% até o final do ano, de acordo com estimativas do mercado financeiro divulgadas no Boletim Focus. Segundo Galípolo, o Copom decidiu não cortar juros em janeiro para adotar uma postura mais conservadora e iniciar o ciclo de cortes com maior confiança.

“Volto aqui a enfatizar que a palavra-chave é essa, a calibragem, esse ajuste da política monetária a partir de março, justamente para a gente poder reunir mais confiança para iniciar esse ciclo”, disse Galípolo, durante evento do BTG Pactual nesta quarta-feira (11).

De acordo com a ata da reunião do Copom de janeiro, os diretores do Banco Central avaliam que o cenário externo se mantém incerto em função da política econômica dos Estados Unidos, exigindo cautela dos países emergentes. Por outro lado, em relação ao cenário doméstico, a avaliação é de que os indicadores seguem apresentando trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho segue resiliente a desaceleração.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O patamar elevado aos 15% é usado com o objetivo de desacelerar o consumo e levar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta de 3%.

Nessa lógica, a autoridade monetária ressaltava que estava confiante em manter a política monetária restritiva por “período bastante prolongado” caso fosse necessário, mas o trecho foi retirado do último comunicado, indicando uma flexibilização no ciclo de juros.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.