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Empresários da indústria mineira demonstram pessimismo com a economia

Indicadores de expectativa da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) despencaram frente ao cenário de inflação e taxa de juros alta

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Indústria sustenta recuperação
Houve recuo em 12 das 25 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE • Daniel Costa/CNI

A sondagem industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), divulgada nessa quarta-feira (24), aponta para um pessimismo entre os empresários que atuam no setor. O indicador de expectativa de demanda para os próximos seis meses caiu para 48,3 pontos em setembro, mostrando uma queda de 2,5 pontos ante agosto (50,8 pontos), o menor patamar dos últimos 10 anos.

“Esse comunicado importante do Copom manteve a sinalização da taxa de juros por um período prolongado. Isso pressiona o custo do crédito, tanto para as empresas, quanto para os consumidores. Aumenta os encargos financeiros das empresas e acaba diminuindo o poder de compra. São fatores combinados que reduzem tanto o consumo, quanto o investimento”, disse.

A expectativa de número de empregados também registrou queda, chegando a 46 pontos em setembro, caindo 2,1 pontos em relação a agosto, e 5,9 pontos frente ao mesmo período do ano passado. “Alguns indicadores já mostram essa desaceleração, embora o mercado de trabalho continue bastante forte. A gente sabe que o mercado de trabalho demanda um certo tempo para reagir, ele tem uma certa defasagem”, explicou a especialista.

A intenção de investimento também caiu. O indicador teve uma retração de 1,7 ponto frente a agosto, e marcou 54,5 pontos. Se considerado setembro de 2024 (60,4 pontos), o recuo foi de 5,9 pontos. Apesar da baixa, o índice ainda ficou 1,8 ponto acima da média histórica de 52,7 pontos.

Segundo Daniela Muniz, outro fato que elevou a desconfiança dos empresários foram as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros importados. O cenário externo coloca a indústria em desvantagem frente à competição com outros países que conseguiram negociar as taxas.

“A gente teve medidas para mitigar os impactos, como o Plano Brasil Soberano, do governo federal, e alguns incentivos fiscais em Minas Gerais, com o governo estadual. Mas a gente sabe que alguns setores importantes para o estado, como a metalurgia, vão sofrer mais com essas tarifas”, completou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.