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La Niña e seguro rural trazem incertezas para o homem do campo

Pelo terceiro ano consecutivo o governo federal mantém o seguro rural sem reajuste, causando insegurança na produção. Confira com Valdir Barbosa.

Seguro rural e La Niña são dois pontos que não podem andar separados na agropecuária e as últimas notícias vão deixando o produtor rural de cabeça quente. O reflexo disso tudo pode entrar rasgando o bolso do consumidor que é a ponta final do mercado.

Se a produção perde volume e qualidade por causa de condições climáticas adversas, o seguro rural é a principal ferramenta para conter a subida de preços ainda maior dos alimentos.

O fenômeno La Niña não permite que o produtor rural se defenda de muitos prejuízos e ninguém pode ser o dono da culpa. Entretanto, o seguro rural é fundamental para proteger aquele que produz dos riscos climáticos.

E a cada ano, mesmo com o Plano Safra robusto anunciado pelo Governo Federal, o seguro vai sendo colocado em terceiro plano.

Enquanto o governo não ameniza os riscos na produção de alimentos e mantém o seguro rural se nivelando há 3 anos, a Metsul Metereologia vem anunciando que o La Niña está chegando, mesmo que tardiamente.

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A cerca de 20 dias já se constatou o resfriamento das águas no Pacífico Equatorial, configurando a atuação do La Niña, que pode durar até 5 meses. Entretanto, o presidente Lula vetou o dispositivo da LDO que protegia o orçamento do seguro rural que continuará a disposição de remanejamentos por parte do governo.

Dos R$ 4 bilhões pedidos pelo setor produtivo, somente R$ 1 bilhão liberado, e agora rebaixado para R$ 965 milhões. Seria uma decisão que beneficiaria tão somente os pequenos e médios agricultores, que também trabalham de olho na chuva e no sol.

Os grandes não acompanham a lentidão e a burocracia dos bancos para buscar financiamentos do plano safra do governo. Eles buscam finanças privadas e mercado de capitais que até novembro teve uma carteira de títulos maior que R$ 1 trilhão e 200 bilhões de reais e, os pequenos, que se resolvam com a lentidão e exigências cada vez maiores dos bancos.

O boi não espera o pasto crescer, arroz e feijão tem o momento certo de serem plantados, senão a conta do agro não fecha.

Itatiaia agro, Valdir Barbosa.


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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.