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Robôs como Haroldo, de ‘Travessia’, podem substituir humanos?

Criadores de dispositivos desenvolvem a tecnologia para que ela sirva como auxiliar

Quem vê a novela “Travessia” já deve ter se divertido com o robô Haroldo, que serve mesas no bar Encanto da Vila. Na trama, o dispositivo se tornou atração do estabelecimento desde que foi apresentado e muitos clientes vão até lá apenas para serem atendidos por ele.

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Não é de hoje que os robôs são desenvolvidos para exercer tarefas repetitivas ou perigosas de forma a deixar com os humanos as atividades mais estratégicas. Durante a pandemia de covid-19, por exemplo, eles foram usados em funções de combate ao vírus que exigiam exposição extrema — assim, foi possível manter mais profissionais de saúde saudáveis.

No mesmo período, Singapura teve de ampliar a adoção da automação por ter dificuldade para encontrar mão de obra para diversos segmentos: da verificação do progresso da construção em canteiros de obras à digitalização de estantes de bibliotecas. Atualmente, a localidade tem 605 robôs para cada 10 mil funcionários em manufatura e só perde para a Coreia do Sul, que tem 932.

Além disso, os robôs já são usados para tarefas voltadas para clientes. No metrô de Singapura, 30 estações já têm o robô barista Ella, da Crown Digital, para preparar café para os passageiros. A novidade atua também no Japão: as estações Tokyo e Yokohama, administradas pela Companhia Ferroviária do Leste do Japão (East Japan Railway Company – JR East).

E é justamente nesse contexto que está o robô Haroldo, de “Travessia”. A inspiração para o uso do dispositivo na novela veio de uma reportagem do The New York Times: o jornal conta que, depois que a cadeia de comida italiana Sergio’s, da Flórida, adotou robôs garçons, houve aumento nas gorjetas recebidas pelos funcionários humanos.

Em “Travessia”, os clientes preferem ser atendidos pelo robô e dão a ele as melhores gorjetas. O garçom Joel, vivido por Nando Cunha, anda bem chateado com o sucesso de Haroldo e, em breve, pensará em mudar de profissão e se tornar motorista. Ele vai desistir, entretanto, quando descobrir a intenção do dono da frota: em um futuro próximo, ele pretende investir em carros autônomos.

Ainda durante a novela, uma diarista vai usar inteligência artificial para facilitar seu trabalho: enquanto as máquinas limpam, a carga de esforço da profissional diminui. O objetivo de todas essas referências e levar a uma reflexão sobre o uso de tecnologia — já que esses equipamentos fazem praticamente qualquer tarefa e não pedem aumento — para substituir mão de obra humana.

Robôs brasileiros

No Brasil, pesquisadores têm se dedicado a desenvolver robôs para diferentes atividades. Alunos do curso de Engenharia de Controle e Automação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul, criaram justamente um robô garçom autônomo — que não lembra em nada o Haroldo — que pode auxiliar trabalhadores em bares, restaurantes e lanchonetes em horários de pico ou ações de marketing do estabelecimento.

A ideia é que ele possa oferecer suporte eficiente, seguro e rápido para o transporte de alimentos sem prejudicar o fluxo nem atrapalhar clientes e funcionários. Para isso, ele transita da cozinha até o salão do restaurante tendo como referência uma linha pintada no chão. Seu design é inspirado em prateleiras empilhadas e permite levar até quatro pratos de comida simultaneamente.

Depois de retirar o alimento do dispositivo, o cliente aciona um comando no robô para que ele volte à cozinha. “Sensores ultrassônicos também foram implementados para evitar a colisão com clientes que atravessem o caminho do robô. Isso ajuda a evitar acidentes e a garantir a segurança”, explica o estudante Leonardo Moraes Ayres da Silva, coautor do projeto. Segundo os criadores, o objetivo não é substituir a mão de obra humana e sim apoiar a dinâmica do estabelecimento.

Na Universidade de São Paulo (USP), um grupo de pesquisadores de Sistemas de Informação e Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP) estudam formas de fazer robôs auxiliarem idosos em atividades cotidianas. O objetivo é ajudar no engajamento social e na qualidade de vida de indivíduos com problemas cognitivos e depressão.

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