Em alguns momentos da vida, tudo o que a gente quer é passar mais tempo em casa, mas com o passar dos anos, esse ficar em casa pode se transformar em isolamento e o que muitos talvez não saibam é que
O diretor estadual de políticas para a pessoa idosa de Minas Gerais, Mauro Felipe, explica que muitos familiares não têm interesse em ressocializar o pai e a mãe. “O que a gente vê é que o familiar tenta descartar o idoso. Que a sociedade diz o seguinte: tem muitos idosos que estão em casa, mas eles têm algum problema. O grande problema do idoso que eu vejo é a perda da autoestima pela segregação dos direitos, pelo próprio familiar. Muitas pessoas, muitos familiares não têm o interesse de ressocializar o pai e a mãe, até para ter essa busca patrimonial para si próprio. Nós vamos saber que o idoso é ser humano. O idoso não é processo de descarte”, detalha Mauro Felipe .
Em muitos casos, os idosos são impedidos até de irem ao posto de saúde. O advogado criminalista Paulo Crosara, do escritório Oliveira Filhos, conta que já atendeu
“É um filho que era problemático com o envolvimento de droga, que voltou para a casa da mãe. Ele não deixava ela sair de casa, só com a autorização dele. Então, limitava esse ir e vir dela, inclusive para ir no centro de saúde, foi assim que foi descoberto toda essa violência. Nesse caso era até um pouco mais complicado porque ele estava armado dentro de casa”, disse Paulo Crosara.
E é justamente dentro de casa que os crimes mais são registrados. Para a promotora de justiça do Ministério Público de Minas Gerais, Érica de Fátima Matosinhos Ribeiro, a violência não é apenas quando vira física.
Situações em que a família não dá atenção, não oferece comida, higiene, cuidados de saúde, quando quer controlar o idoso, quando utiliza a dificuldade que a pessoa idosa tem com tecnologia para fazer empréstimos, para ficar com o cartão da pessoa idosa com vistas a benefício próprio também representam perigo.
“Nos últimos anos, houve um aumento de 39% dos casos de violência contra a pessoa idosa. O que é mais grave é que 81% dos casos ocorrem dentro do lar”, afirma Érica Ribeiro.
Em meio a todas as formas de agressão, uma das mais graves é a violência física que deixa marcas no corpo e também na alma. A delegada titular da divisão especializada em atendimento ao idoso, Juliana Calife, reforça que a violência física é o principal tipo de ocorrência contra pessoas com mais de 60 anos. No entanto, a violência psicológica, os maus-tratos, a negligência e até também os abusos psicológicos e financeiros e sexuais também são frequentes.
Para a médica geriatra da Unimed e preceptora da UFMG, Bárbara Correa, a violência física é o extremo da violência. “Ela vai ter um impacto físico mesmo. Alguns casos são relatados na mídia. Eu acho que é a ponta do iceberg, mas embaixo tem uma violência psicológica muito grande. Isso vai ter um impacto na saúde mental, na saúde física também, levando até aparecimento de algumas doenças”, detalha.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo disque 100, pelo 181 ou em qualquer delegacia.