Roubos e furtos são as ocorrências mais frequentes quando as vítimas são motoristas de aplicativo em Minas Gerais. Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, em 2025, mais da metade dos registros policiais envolvendo esses trabalhadores no estado foram crimes contra o patrimônio. Ao todo, foram mais de 8 mil casos.
Segundo o presidente da Frente de Apoio Nacional dos Motoristas Autônomos, Paulo Xavier, a exposição constante faz com que esses profissionais fiquem mais vulneráveis à criminalidade.
“Uma das maiores queixas do motorista de aplicativo é a segurança ou a insegurança, né, que o motorista se encontra. E o motorista fica muito exposto. Ele está sempre em corrida, muitas das vezes em regiões centrais, que também são perigosas, muitas das vezes em bairros mais afastados, locais ermos. Então, quando ele não está em corrida, ele está aguardando uma chamada, às vezes parado em algum local. Isso deixa o motorista muito vulnerável.”
O delegado regional da Polícia Civil em Belo Horizonte, Murilo Ribeiro de Lima, reforça que a maior parte das ocorrências envolvendo motoristas de aplicativo está relacionada a furtos e roubos, justamente pelas características da atividade.
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“O que se percebe é que os motoristas de aplicativo acabam ficando mais expostos em razão de algumas características próprias da atividade: trabalho em turnos noturnos ou de menor circulação, atendimento de chamados em locais desconhecidos e, muitas vezes, em áreas com maior vulnerabilidade social. Além disso, o veículo, o celular e o próprio perfil de deslocamento contínuo acabam se tornando fatores de interesse para criminosos. É importante destacar que não se trata de uma falha do motorista, mas de uma combinação de fatores estruturais e do modo como a atividade é exercida.”
Os dados da Sejusp também indicam que uma parcela significativa das ocorrências envolve agressões físicas ou verbais, brigas e desentendimentos, geralmente com passageiros. Em 2025, cerca de 10% dos registros em Minas Gerais foram classificados como vias de fato, ameaça ou calúnia.
Paulo Xavier afirma que esse tipo de situação tem preocupado cada vez mais a categoria.
“A gente orienta o motorista a trabalhar com câmera, porque tem sido cada vez maior o número de ocorrências relacionadas a esse tipo de situação. Às vezes o passageiro quer embarcar cinco pessoas, o motorista recusa e aí é acusado de homofobia ou preconceito. O carnaval que se aproxima é um momento bem sensível, bem crítico para esse tipo de situação, que requer atenção especial tanto do motorista quanto do passageiro.”
A Polícia Civil destaca que casos de agressão, ameaça e ofensa contra motoristas de aplicativo são tratados com seriedade e podem gerar consequências criminais.
“A Polícia Civil trata essas situações com seriedade. Lembrando que ameaças, agressões e ofensas também são crimes e podem gerar consequências penais. É fundamental que os motoristas registrem a ocorrência, mesmo quando não há lesão física, para que as instituições de segurança pública tenham um diagnóstico real do problema e para que as providências legais possam ser adotadas”, afirmou o delegado.