Chacina em Neves: Justiça marca julgamento de oito acusados por mortes em festa infantil

Crime, motivado por disputas no tráfico de drogas, resultou na morte de um homem e duas crianças em maio de 2024, em Ribeirão das Neves

Flávio Celso da Silva, Fabiano Alves Campos, Leandro Roberto da Silva, Marcelo Alves Rodrigues e Agnes Darnlei Santos Nascimento

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu que as oito pessoas acusadas de envolvimento na Chacina em Ribeirão das Neves em maio de 2024 serão julgadas pelo Tribunal do Júri em abril. A decisão foi assinada nesta terça-feira (27) pelo juiz Cleiton Luis Chiodi, que mantém a prisão preventiva de sete dos envolvidos.

O julgamento foi marcado para o dia 13 de abril, às 9h. Antes disso, no dia 2 de março, a Justiça realizará o sorteio dos jurados que irão compor o conselho de sentença.

Crime e as vítimas

A ação dos criminosos ocorreu durante a festa de aniversário de 9 anos de Heitor Felipe, no dia 23 de maio de 2024, por volta das 19h, em um sítio no bairro Areias. O menino tinha o sonho de ser jogador de futebol e era torcedor do Cruzeiro. Ele foi destaque como atacante na escolinha do rival, Atlético e atualmente treinava em uma escolinha conveniada ao América.

Além dele, Laysa Emanuele Pereira de Oliveira, de 11 anos, prima de Heitor, e Felipe Júnior Moreira Lima, vulgo ‘Melese” e pai de Heitor, de 26 anos, morreram.

Heitor Felipe, Laysa Emanuele Pereira de Oliveira e Felipe Júnior Moreira Lima

Outras três pessoas, incluindo uma criança de 13 anos, foram atingidas e sobreviveram após receberem socorro médico.

De acordo com as investigações, os réus atuavam no tráfico de drogas no Morro Alto, em Vespasiano, onde inclusive morava o alvo principal, o pai de Heitor. Ele era um ex-parceiro dos mandantes do Morro Alto e tinha tido um desentendimento há alguns anos com os criminosos que queriam para retomar o controle de pontos de venda de drogas.

A investigação apurou que o grupo utilizou um veículo Onix branco e agiu com total desprezo pela presença de crianças no local. Entre os acusados, Ivone Silva de Almeida é apontada como cúmplice, responsável por informar aos executores a localização exata da vítima no dia dos fatos.

Réus

Os réus pronunciados são:

  • Yago Pereira de Souza Reis
  • Ivone Silva de Almeida
  • Pedro Paulo Ferreira Lima (“Paulinho Satan”)
  • Fabiano Alves Campos
  • Marcelo Alves Rodrigues (“Tio Gordo”)
  • Leandro Roberto da Silva (“Berola”)
  • Flávio Celso da Silva (“Alemão”)
  • Agnes Danrlei Santos Nascimento (“Biscoito”)

A justiça indeferiu pedidos de absolvição sumária e de perícias que considerou desnecessárias, como a extração de um projétil alojado no corpo de um dos réus para fins de prova. Apenas o réu Fabiano Alves Campos obteve o benefício da prisão domiciliar; os demais permanecem detidos aguardando a data do julgamento popular.

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Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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