Justiça condena estudantes da UEMG por racismo recreativo em trote: 'Bombril'
Réus foram condenados a 3 anos de reclusão em regime aberto; caso ocorreu em março de 2024 na unidade de Frutal, no Triângulo Mineiro

A Justiça de Minas Gerais condenou a 3 anos de reclusão em regime aberto e 15 dias-multa três estudantes da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) de Frutal, no Triângulo Mineiro, por racismo recreativo durante uma festa de calourada. A sentença foi proferida em 21 de janeiro.
Luis Felipe Cola Borba, Laryssa Cristina Silva e Luiz Henrique Menezes Queiroz foram acusados de apelidar uma estudante recém ingressada na universidade de “Bombril” em referência ao cabelo crespo dela. O caso ocorreu em 11 de março de 2024.
Os estudantes foram condenados com base na Lei 7.716/89, conhecida como “Lei do Racismo” ou “Lei Caó”. O crime foi agravado por ocorrer em contexto de recreação.
A pena privativa de liberdade foi substituída por pagamento de cinco salários mínimos e prestação de serviços à comunidade. Além disso, a Justiça fixou uma indenização de R$ 10 mil para cada réu em favor da vítima.
Réus reconheceram caráter racista do apelido
“O Direito Penal não tutela a ignorância voluntária nem a cegueira deliberada frente a estigmas sociais notórios”.
“A ratio legis [razão da lei] da majorante é clara: reprimir com maior rigor a prática de condutas racistas travestidas de brincadeira, humor ou recreação, justamente porque tais contextos favorecem a naturalização da discriminação, a banalização do sofrimento da vítima e a reprodução de estigmas sociais sob aparência de leveza ou comicidade”, afirmou o magistrado.
Em comunicado, a Promotoria de Justiça do Ministério Público (MPMG) afirmou que vai recorrer da dosimetria “para que seja aplicada pena máxima prevista em lei”. A decisão cabe recurso.
Nota da UEMG
Em nota enviada à Itatiaia, a UEMG informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso. Os trâmites já foram concluídos e resultaram no desligamento de um dos estudantes. Os outros dois autores do crime de injúria racial foram afastados por 30 dias. Abaixo, confira o posicionamento na íntegra:
“A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) informa que tomou conhecimento dos fatos ocorridos em março de 2024, relacionados à prática de racismo, que culminaram na responsabilização dos envolvidos. À época, a UEMG instaurou procedimento administrativo para a devida apuração do caso no âmbito institucional.
Foi constituída comissão específica para conduzir o processo, com a realização de oitivas de estudantes, servidores e docentes, assegurados o contraditório e a ampla defesa. O trâmite administrativo foi devidamente conduzido e concluído.
Como resultado do procedimento, um estudante teve o vínculo com a UEMG encerrado, em decisão do Conselho Universitário, e outros dois estudantes foram afastados das atividades acadêmicas por 30 dias, conforme deliberação da comissão instaurada.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).



