O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)
Fabel foi processado por apropriação indébita de cerca de R$ 6 milhões do Atlético. Segundo documento que a Itatiaia teve acesso, o promotor pediu a condenação pelo crime de apropriação indébita, com pena de um a quatro anos de prisão.
Ainda há um pedido de aumento da pena em um terço, pois o crime teria ocorrido enquanto diretor financeiro, além de dois terços por ser uma prática continuada ao longo de anos.
Ainda nas alegações finais, o promotor pede uma condenação pela reparação dos prejuízos causados e também da suspensão dos direitos políticos de Fabel. A acusação aponta ainda que o ex-diretor se apropriou dos recursos milionários, desviando a verba do Atlético para empresas de sua propriedade.
“De acordo com as provas dos autos, o acusado, na condição de diretor financeiro do Atlético, era responsável pela gestão de contratos, de aditivos, e pela emissão das ordens de pagamento. Se aproveitando dessa condição, ele realizou diversas ordens de pagamento para empresas das quais ele era sócio. E essas ordens de pagamentos não eram fundamentadas nos contratos, nos aditivos”, disse Mauro Ellovitch, à Itatiaia.
“Ou seja, ele se aproveitou da gestão que ele tinha, desse poder de direcionar pagamentos, e se apropriou de valores do Atlético, enviando-os para empresas das quais ele era sócio”, seguiu.
“Essas empresas tinham contratos com o Atlético. O que, por si só, já é uma situação estranha. Como um diretor financeiro de um clube vai realizar gestão de contratos com empresas das quais ele era sócio?, prosseguiu Ellovitch, até concluir”
“Mas o ponto central dessa apropriação indébita é que ele direcionou ordens de pagamento fora do que estava contratado. Valores bem acima dos contratos, dos aditivos. Algumas dessas ordens, inclusive, fora do período do contrato”.
A Itatiaia não conseguiu contato com Carlos Fabel. O ex-diretor tem até fevereiro para, também, apresentar alegações finais.
Nova fase
O ex-diretor financeiro foi denunciado pelo MP em 2024. A primeira fase foi encerrada em dezembro de 2025, com depoimento de Carlos Fabel.
Fabel e outras testemunhas foram ouvidas em 1º de dezembro em audiência de instrução no Fórum Lafayette, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso tramita na 11ª Vara Criminal da Comarca de BH.
Foram ouvidas as testemunhas do caso, como Sérgio Coelho, presidente do Atlético, e Sérgio Sette Câmara, ex-presidente do Galo.
Além deles, foram ouvidas testemunhas de defesa, que são ex-assistentes financeiros do clube, e que trabalharam com Carlos Fabel.
O teor dos depoimentos foi protegido, pois o processo está em segredo de Justiça.
Com o recolhimento das provas orais, o processo agora caminha para as alegações finais, onde defesa e acusação apresentam seus últimos posicionamentos e aguardam a sentença. A expectativa é que a sentença saia a partir do mês de janeiro do ano que vem.
A ação do MP, que motivou a audiência, pede que Fabel devolva R$ 4 milhões aos cofres do Galo. A acusação aponta que o prejuízo ao clube, se somadas outras acusações relacionadas, pode passar dos R$ 18 milhões.
Os promotores analisaram dossiês e auditorias técnicas feitas pelo próprio Atlético nas finanças do clube. O MP identificou ações com suspeita de caráter criminoso na atuação profissional de Carlos Fabel durante o período de dez anos em que trabalhou no Galo.
O MP diz que havia um esquema, e Fabel enquanto diretor, aproveitou para desviar recursos através de contratos com consultorias, autorizando pagamentos irregulares e superfaturados para utilizar a transação para conseguir vantagem econômica pessoal.
Fabel era considerado braço direito de Kalil
Fabel foi contratado em 2009, na gestão do então presidente Alexandre Kalil (2009 a 2014). Ele teve posição de destaque na alta cúpula clube, sendo considerado o braço direito de Kalil quando o assunto era finanças. Teve atuação também nas campanhas do ex-prefeito da capital.
Alexandre Kalil não está neste processo, portanto não foi incluído como testemunha.