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Promotor analisa pedido do MP pela condenação de diretor do Atlético na gestão Kalil

Carlos Fabel é investigado por apropriação indébita enquanto diretor do Atlético

Carlos Fabel em reunião do Conselho Deliberativo em 27 de novembro de 2018

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu a condenação de Carlos Fabel, diretor do Atlético na gestão de Alexandre Kalil como presidente (entre 2009 e 2014), por apropriação indébita. As alegações finais foram apresentadas à 11ª Vara Criminal pelo promotor Mauro Ellovitch, que fez uma análise em contato com a Itatiaia.

“De acordo com as provas dos autos, o acusado, na condição de diretor financeiro do Atlético, era responsável pela gestão de contratos, de aditivos, e pela emissão das ordens de pagamento. Se aproveitando dessa condição, ele realizou diversas ordens de pagamento para empresas das quais ele era sócio. E essas ordens de pagamentos não eram fundamentadas nos contratos, nos aditivos”, disse Mauro Ellovitch.

“Ou seja, ele se aproveitou da gestão que ele tinha, desse poder de direcionar pagamentos, e se apropriou de valores do Atlético, enviando-os para empresas das quais ele era sócio”, seguiu.

“Essas empresas tinham contratos com o Atlético. O que, por si só, já é uma situação estranha. Como um diretor financeiro de um clube vai realizar gestão de contratos com empresas das quais ele era sócio?, prosseguiu Ellovitch, até concluir”

“Mas o ponto central dessa apropriação indébita é que ele direcionou ordens de pagamento fora do que estava contratado. Valores bem acima dos contratos, dos aditivos. Algumas dessas ordens, inclusive, fora do período do contrato”.

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Fabel foi processado por apropriação indébita de cerca de R$ 6 milhões do Atlético. Segundo documento que a Itatiaia teve acesso, o promotor pediu a condenação pelo crime de apropriação indébita, com pena de um a quatro anos de prisão.

Ainda há um pedido de aumento da pena em um terço, pois o crime teria ocorrido enquanto diretor financeiro, além de dois terços por ser uma prática continuada ao longo de anos.

Ainda nas alegações finais, o promotor pede uma condenação pela reparação dos prejuízos causados e também da suspensão dos direitos políticos de Fabel. A acusação aponta ainda que o ex-diretor se apropriou dos recursos milionários, desviando a verba do Atlético para empresas de sua propriedade.

A Itatiaia não conseguiu contato com Carlos Fabel. O ex-diretor tem até fevereiro para, também, apresentar alegações finais.

Nova fase

O ex-diretor financeiro foi denunciado pelo MP em 2024. A primeira fase foi encerrada em dezembro de 2025, com depoimento de Carlos Fabel.

Fabel e outras testemunhas foram ouvidas em 1º de dezembro em audiência de instrução no Fórum Lafayette, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso tramita na 11ª Vara Criminal da Comarca de BH.

Foram ouvidas as testemunhas do caso, como Sérgio Coelho, presidente do Atlético, e Sérgio Sette Câmara, ex-presidente do Galo.

Além deles, foram ouvidas testemunhas de defesa, que são ex-assistentes financeiros do clube, e que trabalharam com Carlos Fabel.

O teor dos depoimentos foi protegido, pois o processo está em segredo de Justiça.

Com o recolhimento das provas orais, o processo agora caminha para as alegações finais, onde defesa e acusação apresentam seus últimos posicionamentos e aguardam a sentença. A expectativa é que a sentença saia a partir do mês de janeiro do ano que vem.

A ação do MP, que motivou a audiência, pede que Fabel devolva R$ 4 milhões aos cofres do Galo. A acusação aponta que o prejuízo ao clube, se somadas outras acusações relacionadas, pode passar dos R$ 18 milhões.

Os promotores analisaram dossiês e auditorias técnicas feitas pelo próprio Atlético nas finanças do clube. O MP identificou ações com suspeita de caráter criminoso na atuação profissional de Carlos Fabel durante o período de dez anos em que trabalhou no Galo.

O MP diz que havia um esquema, e Fabel enquanto diretor, aproveitou para desviar recursos através de contratos com consultorias, autorizando pagamentos irregulares e superfaturados para utilizar a transação para conseguir vantagem econômica pessoal.

Fabel era considerado braço direito de Kalil

Fabel foi contratado em 2009, na gestão do então presidente Alexandre Kalil (2009 a 2014). Ele teve posição de destaque na alta cúpula clube, sendo considerado o braço direito de Kalil quando o assunto era finanças. Teve atuação também nas campanhas do ex-prefeito da capital.

Alexandre Kalil não está neste processo, portanto não foi incluído como testemunha.

Eustáquio Ramos é repórter e apresentador da Itatiaia

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