Com apoio das polícias Civil e Militar, o Ministério Público de São Paulo, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), realizou na manhã desta sexta-feira (29) a operação Laços de Família, com o objetivo de acabar com um núcleo criminoso ligado ao PCC.
As investigações revelaram que, há anos, o grupo mantém estrutura organizada voltada ao tráfico de drogas em Mirandópolis (SP) e região, com foco no abastecimento de entorpecentes às unidades prisionais.
Há três núcleos distintos, estruturados com fortes vínculos familiares, transmitidos de geração em geração, o que garantia estabilidade e expansão contínua no tráfico. Essa “blindagem familiar” favorecia, ainda, a cooperação com a facção criminosa.
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Parte dos investigados já cumpriu pena em presídios da região e, mesmo assim, mantinha atuação ativa, implementando um esquema de infiltração de drogas dentro das unidades prisionais.
Ao longo da operação foram apreendidas drogas, valores em espécie, aparelhos celulares e uma pistola calibre 38. Além disso, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva na cidade de Araçatuba (SP), 19 mandados de prisão temporária em Mirandópolis (SP) e 23 de busca e apreensão.
A investigação também permitiu a intervenção no sistema prisional, com o apoio da Secretaria de Administração Penitenciária, resultando na apreensão de aparelhos celulares na unidade prisional da Comarca de São José do Rio Preto.
Os equipamentos eram utilizados por membros do PCC para manter contato direto com o núcleo criminoso instalado em Mirandópolis (SP), a fim de viabilizar o abastecimento de drogas e o gerenciamento de pagamentos relacionados ao tráfico.
Operação Laços de Família
O nome da operação, segundo o MP-SP, reflete o caráter permanente e estável dos vínculos familiares que sustentavam a organização criminosa, conferindo-lhe durabilidade, expansão e maior dificuldade para repressão estatal.
A operação contou com a articulação de promotores de Justiça e servidores do GAECO, bem como o apoio integrado da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária, mobilizando um total de 61 equipes operacionais, compostas por 129 policiais militares, 54 agentes da Polícia Civil, além de três equipes do Canil e do suporte aéreo do Helicóptero Águia, ambos da Polícia Militar.