Segundo as autoridades, o grupo teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.
As irregularidades foram encontradas em várias etapas da produção e distribuição de combustíveis. O PCC lucrava com fraudes que prejudicavam consumidores, empresários e toda a cadeia econômica do setor.
Funcionamento do esquema
Um dos principais pontos do esquema envolvia a importação irregular de metanol. O produto, que chegava ao Brasil pelo Porto de Paranaguá (PR), era desviado antes de chegar aos destinatários indicados nas notas fiscais.
O transporte ocorria de forma clandestina, com documentos falsos e sem segurança, colocando em risco motoristas, pedestres e o meio ambiente. O metanol, altamente inflamável e tóxico, era então direcionado a postos e distribuidoras, onde servia para adulterar combustíveis e gerar lucros à facção.
Em mais de 300 postos investigados, foram identificadas fraudes qualitativas e quantitativas: consumidores pagavam por volumes menores do que os registrados nas bombas ou recebiam combustíveis fora das especificações técnicas da
Além disso, donos de postos envolvidos relataram não ter recebido os valores combinados e ainda foram ameaçados de morte ao tentar cobrar as dívidas.
Como era a lavagem de dinheiro com fintechs
As investigações mostram que o PCC usava
Segundo a Polícia Federal, em vez de bancos tradicionais, eram usadas
Uma delas chegou a movimentar mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, funcionando como um verdadeiro “banco clandestino”. Também foram identificadas fintechs menores usadas como segunda camada de ocultação.
Entre 2022 e 2023, a instituição recebeu mais de 10,9 mil depósitos em espécie, totalizando R$ 61 milhões, prática incomum para o setor.
“Conta-bolsão”
Outra questão explorada foi o uso da chamada “conta-bolsão”: uma conta aberta por fintechs em bancos comerciais, na qual os recursos de todos os clientes ficam misturados.
Por meio dessa conta transitavam pagamentos entre distribuidoras, postos, fundos de investimento e até despesas pessoais de operadores do esquema, sem fiscalização detalhada.
Ocultação de patrimônio
O dinheiro ilícito também foi usado para adquirir empresas e bens de alto valor, com o objetivo de expandir os negócios e ocultar a origem dos recursos.
De acordo com a Receita Federal, a facção investiu em fundos multimercado e imobiliários, todos controlados pelo grupo. Foram identificados ao menos 40 fundos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, muitos deles com apenas um cotista.
Entre os bens adquiridos estão:
- 1 terminal portuário;
- 4 usinas de álcool (mais 2 em aquisição ou parceria);
- 1.600 caminhões para transporte de combustíveis;
- Mais de 100 imóveis, incluindo 6 fazendas no interior de SP (avaliadas em R$ 31 milhões) e uma casa em Trancoso/BA (avaliada em R$ 13 milhões).
Segundo a PF, as administradoras dos fundos sabiam das irregularidades e chegaram a descumprir obrigações fiscais para esconder as movimentações.
Balanço das operações
A megaoperação envolve três frentes: Carbono Oculto, do Ministério Público, e Quasar e Tank, da Polícia Federal. Ao todo, foram cumpridos 350 mandados de busca e apreensão.
A Operação Tank investigou lavagem de dinheiro por meio de postos e distribuidoras. O caso começou a ser apurado em 2023, após um ex-traficante internacional e sua esposa passarem a ostentar bens de luxo em Curitiba (PR), sem comprovar a origem do dinheiro.
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As autoridades descobriram que ao menos 121 empresas transferiram cerca de R$ 1,4 bilhão para uma distribuidora de petróleo. Essa empresa declarou faturamento de R$ 7 bilhões entre 2020 e 2023, mas as investigações mostram que sua estrutura foi construída com recursos ilícitos.
Outra instituição de pagamentos, em São Paulo, transferiu mais de R$ 400 milhões para contas ligadas ao esquema. No total, as transações somaram R$ 20 bilhões, causando uma perda estimada de R$ 4 bilhões em tributos federais, além de R$ 1 bilhão já inscritos em dívida ativa.
(Sob supervisão de Marina Dias )