O calor intenso típico do verão brasileiro pode representar mais do que desconforto durante viagens longas: ele também afeta diretamente o desempenho dos veículos e aumenta os riscos nas estradas. O alerta é da FEI (Fundação de Ensino Inaciana), de São Bernardo do Campo-SP, universidade referência em engenharias há 85 anos, que chama a atenção para a combinação perigosa entre altas temperaturas, longos trajetos e falta de manutenção preventiva.
De acordo com o professor Cleber William Gomes, de Engenharia Mecânica, o motor é um dos componentes mais sensíveis ao calor excessivo. Em viagens prolongadas, especialmente sob congestionamentos ou em rodovias com subidas frequentes, o sistema de arrefecimento pode trabalhar no limite. Óleo vencido, fluido de arrefecimento inadequado ou filtros sujos elevam o risco de superaquecimento e panes mecânicas.
“O motor foi projetado para operar em altas temperaturas, mas isso só é garantido quando três fatores são respeitados: óleo lubrificante em boas condições, filtro de ar limpo e líquido de arrefecimento adequado. Se qualquer um desses elementos falhar, o atrito aumenta, a temperatura sobe além do ideal e o sistema pode entrar em colapso”, explica.
Freios também sofrem com altas temperaturas
Outro ponto crítico são os freios. O uso contínuo em descidas longas ou no trânsito pesado pode provocar o chamado fading, fenômeno em que a eficiência do sistema diminui devido ao aquecimento excessivo provocado pelo atrito repetitivo entre as peças do sistema. Fluido de freio contaminado ou componentes desgastados agravam o problema, comprometendo a segurança do veículo.
Calor aumenta o desgaste dos pneus
Os pneus também sofrem com as altas temperaturas. O calor provoca variação de pressão e acelera o desgaste, aumentando a probabilidade de falhas ou até estouros, principalmente quando os pneus já estão carecas ou mal calibrados. Mangueiras e outras peças de borracha, por sua vez, podem ressecar e romper com mais facilidade sob estresse térmico.
Motorista também é afetado pelo calor
Além do impacto mecânico, Gomes destaca o fator humano. O calor excessivo contribui para a fadiga do motorista, reduzindo a atenção e o tempo de reação. A recomendação é realizar pausas regulares ao longo da viagem, manter boa hidratação e evitar dirigir por longos períodos sem descanso.
Cuidado com o líquido de arrefecimento do motor
O especialista reforça ainda a importância de cuidados básicos em caso de superaquecimento. Nunca se deve abrir a tampa do sistema de arrefecimento com o motor quente, já que o líquido está sob alta pressão e pode causar queimaduras graves.
“Se o carro começar a esquentar em trânsito parado, o ideal é encostar em local seguro e jamais abrir a tampa do sistema de arrefecimento com o motor quente. O líquido está sob pressão e pode causar acidentes graves”.
Segundo o professor, a manutenção preventiva continua sendo a principal aliada para viagens seguras no verão. Revisar o veículo antes de pegar a estrada não só reduz o risco de imprevistos, como também evita custos maiores com reparos emergenciais e aumenta a segurança de todos os ocupantes.
“Quando algo parece errado, não espere a falha acontecer na estrada. Cuidar do veículo é cuidar da própria vida e da segurança de todos”, destaca.