Você já parou para pensar que a postura ao dirigir influencia diretamente a segurança no trânsito? Mais do que uma questão de conforto, sentar-se corretamente ao volante melhora o tempo de reação do motorista, reduz o risco de lesões e contribui para uma condução mais precisa e segura.
Antes mesmo de dar a partida no motor, é fundamental ajustar o banco, o volante e os espelhos, como ensinam os princípios da direção defensiva. Uma posição adequada permite que braços e pernas atuem com mais eficiência em situações de emergência, como desvios rápidos ou frenagens bruscas, além de diminuir o desgaste muscular ao longo do trajeto.
A seguir, veja orientações práticas de ergonomia que ajudam a garantir uma postura correta ao dirigir:
Cabeça bem apoiada
O encosto e a altura do banco devem ser regulados para distribuir corretamente o peso do corpo. A cabeça precisa ficar apoiada na parte superior do encosto, o que ajuda a evitar dores, lesões cervicais e traumas em situações de impacto ou freadas repentinas. Motoristas muito altos, que não conseguem esse apoio, podem considerar modelos de veículos mais adequados à sua estatura.
Cinto de segurança ajustado corretamente
Embora a maioria dos carros ofereça regulagem de altura do cinto, muitos motoristas não utilizam esse recurso. O posicionamento correto exige que a faixa superior passe pelo centro do ombro — nunca pelo pescoço — e que a parte inferior fique ajustada ao abdômen, sem folgas excessivas. Assim, o cinto cumpre sua função de proteção em caso de colisão.
Pés apoiados no assoalho
Manter os pés firmes no assoalho é essencial para preservar a força e a precisão ao acionar os pedais. Quando o banco está alto demais ou mal posicionado, a flexão dos joelhos fica comprometida, o que pode dificultar o uso da embreagem, do freio e do acelerador. Evite também apoiar os pés nos pedais sem necessidade ou embaixo do banco, pois isso gera tensão e fadiga muscular, além de provocar desgaste prematuro em componentes do carro, como a embreagem.
Banco na posição ideal
O encosto do banco deve ficar levemente inclinado, entre 100° e 120°. Uma posição muito reta sobrecarrega a coluna, enquanto um ângulo excessivo pode fazer o cinto deslizar, aumentando o risco de ferimentos. A distância correta dos joelhos em relação ao painel é de cerca de três dedos, garantindo circulação adequada e liberdade de movimentos.
Braços bem posicionados
Os braços devem ficar levemente flexionados, formando um ângulo próximo de 120°. Mantê-los esticados por muito tempo pode causar dores nos ombros e no pescoço. Os ombros precisam permanecer apoiados no encosto, com as mãos firmes no volante, sem tensão excessiva.
Atenção especial à lombar
A região lombar é uma das mais exigidas durante a condução. O ideal é que ela esteja totalmente apoiada no banco, respeitando a curvatura natural da coluna. Caso haja um espaço entre as costas e o encosto, uma pequena almofada pode ajudar a garantir o suporte adequado e evitar dores.
Retrovisores bem regulados
Os espelhos devem permitir ampla visualização sem que o motorista precise mover a cabeça ou o tronco. Apenas os olhos devem se deslocar. Nos retrovisores laterais, o ideal é enxergar apenas uma pequena parte da traseira do veículo, o que ajuda a reduzir os pontos cegos.
Calçados adequados fazem diferença
Sapatos que escorregam ou não se fixam bem aos pés comprometem o controle dos pedais e aumentam o risco de acidentes. Além disso, o Código de Trânsito Brasileiro considera infração dirigir com calçados inadequados. Tênis ou sapatos confortáveis e firmes são as opções mais indicadas.
Pausas e alongamentos são essenciais
Para quem passa muitas horas ao volante, como motoristas profissionais, as pausas são indispensáveis. A recomendação é interromper a viagem a cada duas horas ou 100 quilômetros rodados. Alongamentos simples ajudam a aliviar a tensão muscular, especialmente na lombar, no pescoço, nos ombros e nos braços.
Manter a postura correta ao dirigir exige atenção, mas os benefícios são claros. Com pequenos ajustes antes de iniciar o trajeto e cuidados durante a condução, é possível preservar a saúde, reduzir o cansaço e aumentar significativamente a segurança no trânsito.