Antes da crise, Venezuela produziu Chevrolet Monza e Ford Mustang

País sul-americano já foi importante polo automotivo da região incentivado pelas reservas petrolíferas

A Venezuela voltou ao centro das discussões internacionais após o ex-ditador Nicolás Maduro ser capturado e preso por uma operação militar dos Estados Unidos. O país sul-americano, que há anos enfrenta uma crise econômica deflagrada por má administração e sanções, chegou a ser um dos polos industriais automotivos mais relevantes da América Latina quando o mercado interno era impulsionado pela riqueza do petróleo.

A história da fabricação de veículos no país começou ainda nos anos 1940, quando grandes empresas estrangeiras instalaram fábricas em território venezuelano. A General Motors foi a pioneira, seguida por marcas como Chrysler, Ford e Toyota. Naquele período, a Venezuela montava veículos a partir de kits importados, mas com volumes significativos e oferta variada, que incluía carros de passeio, utilitários e picapes.

Versão venezuelana do Ford Mustang Ghia

Entre as décadas de 1960 e 1980, a indústria local viveu o seu auge. Modelos emblemáticos do mercado norte-americano chegaram a ser produzidos em solo venezuelano pouco tempo depois de serem lançados nos Estados Unidos – o Ford Mustang, por exemplo, foi fabricado na Venezuela a partir de 1965, um ano após a estreia em seu país de origem.

A cidade de Valencia, no estado de Carabobo, tornou-se um dos principais polos automotivos do país, concentrando fábricas e fornecedores. Carros conhecidos do público brasileiro, como o Chevrolet Monza, também passaram pelas linhas de montagem venezuelanas, muitas vezes com características próprias. O modelo era enviado parcialmente desmontado de São Caetano do Sul-SP para ser finalizado no país vizinho.

Na década de 1980, a Venezuela já enfrentava dificuldades econômicas, e as vendas do Monza despencaram. A General Motors do Brasil conseguiu driblar a proibição das importações para trazer o Monza venezuelano para o mercado nacional. O modelo era mais equipado que o brasileiro.

Chevrolet Monza SR venezuelano

A Toyota também teve papel de destaque nesse cenário, especialmente com a produção de veículos robustos e voltados ao uso severo, como o icônico utilitário Land Cruiser. Esses modelos ganharam reputação de durabilidade e se adaptaram bem às condições das estradas e ao perfil de consumo local, tornando-se presença comum no país por décadas.

Toyota Land Cruiser também foi fabricado na Venezuela

Nos anos 2000, o governo de Hugo Chávez tentou dar um novo rumo ao setor ao apostar na criação de uma montadora estatal. Surgiu assim a Venirauto, resultado de uma parceria com fabricantes iranianos, com a proposta de oferecer carros populares a preços acessíveis, baseados em projetos franceses e japoneses dos anos 1980 e 1990. Apesar do discurso ambicioso, a produção foi limitada e ficou muito aquém das metas anunciadas, enfrentando dificuldades estruturais desde o início.

Carros da Venirauto eram baseados em modelos da iraniana IKCO

A partir da década de 2010, a indústria automotiva venezuelana entrou em colapso. A crise econômica, o controle cambial, a falta de peças, a queda do poder de compra da população e as sanções internacionais levaram à paralisação quase total das fábricas. Montadoras tradicionais suspenderam atividades ou abandonaram o país, e a produção de veículos despencou a níveis historicamente baixos.

Em 2022, o governo venezuelano anunciou planos de retomada da produção nacional, com promessas de reativação da Venirauto e a introdução de novos modelos de origem estrangeira.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

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