Tilápia do Vietnã: SC proíbe e PR taxa em 22% após alerta de risco sanitário
Sul concentra a maior parte da força da piscicultura nacional

Os estados do Sul do Brasil endureceram as regras contra a entrada da tilápia importada do Vietnã. A movimentação ocorre após o governo federal liberar a importação do peixe asiático, gerando forte reação do setor produtivo local, que teme prejuízos econômicos e a introdução de doenças exóticas nos tanques brasileiros.
Santa Catarina: proibição total
Em dezembro de 2025, o governo de Santa Catarina publicou uma portaria proibindo a comercialização, distribuição e trânsito de tilápia vietnamita em todo o território estadual. A medida veda o peixe fresco, congelado ou processado. O argumento catarinense foca no TiLV (Tilapia Lake Virus), um vírus que pode causar até 90% de mortalidade nos peixes e para o qual ainda não há garantias sanitárias suficientes nos lotes importados.
Paraná: barreira fiscal de 22%
Já o Paraná, maior produtor do país (38% do mercado), sancionou a Lei nº 22.962/2025, que cria uma barreira econômica. A partir deste ano, a importação de tilápia terá uma alíquota de 22%. Além disso, o estado cortou benefícios fiscais para quem optar pelo peixe estrangeiro. O objetivo é garantir que o produto local não sofra com a "concorrência desleal" de um país com custos de produção e exigências sanitárias muito inferiores às brasileiras.
Peso do setor no Sul
O Sul concentra a maior parte da força da piscicultura nacional:
- Paraná: Produziu mais de 190 mil toneladas em 2024.
- Santa Catarina: É o quarto maior produtor, com faturamento superior a R$ 500 milhões no setor.
"Não podemos colocar em risco o status sanitário que conquistamos com décadas de trabalho. O Paraná e Santa Catarina são exemplos mundiais de sanidade animal", reforçou Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Comparativo das medidas
| Estado | Medida Adotada | Foco Principal |
| Santa Catarina | Proibição total de venda e transporte | Risco biológico (Vírus TiLV) |
| Paraná | Taxação de 22% sobre a importação | Proteção econômica e fiscal |
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



