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Planta medicinal revoluciona criação de tilápias em tanques-rede

Estudo aponta que uso de Artemisia annua na alimentação dos peixes aumenta crescimento, fortalece a imunidade e pode impulsionar a sustentabilidade

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Uso deste bioinsumo natural pode ser a chave para uma aquicultura mais rentável e sustentável • Gabriel Pupo Nogueira/Embrapa

Uma planta conhecida milenarmente por suas propriedades medicinais, a Artemisia annua, surge como uma promessa para transformar a piscicultura brasileira. Um estudo recente revelou que a suplementação alimentar com a planta aumenta o crescimento, fortalece a imunidade e reduz o estresse da tilápia-do-Nilo, um dos peixes mais cultivados no país.

Os resultados, obtidos em sistemas de cultivo tropical em tanques-rede, mostram que o uso deste bioinsumo natural pode ser a chave para uma aquicultura mais rentável e sustentável, alinhada às exigências globais de segurança alimentar.

Mais peso com menos ração

O principal indicador de sucesso na piscicultura é a eficiência alimentar: fazer o peixe crescer mais consumindo menos. No experimento coordenado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Embrapa Meio Ambiente, as tilápias que receberam a suplementação apresentaram um ganho de peso expressivo.

"A suplementação com Artemisia annua contribui para melhorar simultaneamente o crescimento e a eficiência alimentar", explicou Michelly Soares, pesquisadora da UFSCar.

O segredo está nos compostos bioativos da planta, que otimizam a fisiologia intestinal dos peixes, permitindo que eles aproveitem melhor cada grama de nutriente ingerido.

Escudo natural contra doenças

Além da produtividade, a saúde dos animais foi um ponto de destaque. O cultivo em tanques-rede expõe os peixes a variações de temperatura e patógenos. A pesquisa demonstrou que a planta atua em três frentes principais:

  1. Imunidade: fortalece as defesas naturais contra doenças.

  2. Microbiota: inibe bactérias ruins e favorece microrganismos benéficos no intestino.

  3. Antioxidante: reduz o estresse fisiológico e inflamações, garantindo maior estabilidade ao sistema de produção.

Para a pesquisadora Fernanda Sampaio, da Embrapa, esse fortalecimento é vital: "Aumentar a resistência a doenças reduz perdas e torna o negócio mais seguro para o produtor".

O futuro dos bioinsumos

A utilização de plantas medicinais surge como uma alternativa ecológica ao uso de antibióticos e produtos sintéticos. Embora os resultados sejam promissores, os especialistas agora focam em ajustar as doses ideais para a escala comercial.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde