Minas celebra Dia Mundial do Queijo com números recordes na agroindústria familiar

Levantamento da Emater-MG aponta produção de 43 mil toneladas em 2025

Queijo Minas Artesanal (QMA) permanece como a “joia da coroa”

Neste dia 20 de janeiro, o mundo celebra o Dia Mundial do Queijo, e Minas Gerais tem motivos de sobra para comemorar. Dados inéditos divulgados pela Emater-MG nesta segunda-feira (19) revelam o poder da agroindústria familiar mineira: em 2025, o estado alcançou a marca de 43 mil toneladas de queijo produzidas, consolidando o setor como um dos pilares da economia e da cultura do estado.

O levantamento, que abrangeu mais de 800 municípios, desenha um mapa detalhado da produção rural. Mais do que números, os dados refletem a sobrevivência de tradições centenárias aliada à modernização técnica do campo.

A força do leite cru: o protagonismo artesanal

O grande destaque do relatório é a predominância dos queijos artesanais, feitos a partir do leite cru. Esse segmento representa 74,6% de toda a produção da agroindústria familiar mineira, somando 32,1 mil toneladas anuais.

Atualmente, Minas reúne 8,8 mil agroindústrias familiares dedicadas a essa modalidade. Segundo Rayanne Soalheiro de Souza, coordenadora técnica da Emater-MG, o setor vai além da economia:

“A produção de queijos artesanais representa um salto estratégico para a diversificação econômica e agregação de valor ao leite. Esse modelo fortalece o desenvolvimento sustentável das famílias. A Emater-MG atua na capacitação para garantir que essa tradição conquiste mercados formais com qualidade e segurança”, destacou.

Patrimônio da humanidade em evidência

Dentro da categoria artesanal, o Queijo Minas Artesanal (QMA) permanece como a “joia da coroa”. Com uma produção de 18,4 mil toneladas em 2025, o QMA vive um momento histórico: no final de 2024, seus Modos de Fazer foram oficialmente incluídos na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Dez regiões mineiras possuem o reconhecimento oficial para a produção do QMA, incluindo nomes icônicos como Canastra, Serro e Araxá. Além destas, outras seis regiões se destacam por variedades únicas, como o Queijo Cabacinha e o Requeijão Moreno.

Queijo Cabacinha do Vale do Jequitinhonha

O raio-X do queijo mineiro (dados 2025)

CategoriaVolume / Quantidade
Produção Total Familiar43 mil toneladas
Total de Agroindústrias12,5 mil estabelecimentos
Queijos Artesanais (Leite Cru)32,1 mil toneladas
Queijo Minas Artesanal (QMA)18,4 mil toneladas
Famílias Dedicadas ao QMA3,5 mil agroindústrias

Diversidade à mesa

Embora o artesanato lidere, a agroindústria familiar de Minas também mostra versatilidade com o uso de leite pasteurizado. O estado produz desde os clássicos Minas Frescal, Muçarela e Parmesão até iguarias finas de leite de cabra e búfala, como Boursin e Burrata, provando que o “terroir” mineiro é fértil para a inovação.

Neste Dia Mundial do Queijo, o balanço da Emater-MG reafirma que o queijo não é apenas um alimento para Minas Gerais, mas um motor de desenvolvimento que mantém viva a identidade do interior mineiro.

Queijo Minas Artesanal do “Queijo Braúnas”

Série especial

Para debater o cenário do queijo mineiro, o Itatiaia Agro preparou a série especial ‘Somos do mundo, e agora? O cenário do Queijo Minas Artesanal após o título da Unesco’. A série foi premiada em segundo lugar na categoria Digital do 2° Prêmio de Jornalismo da Faemg.

Leia as reportagens da série:

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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