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Exportações de peixe sobem 15% no trimestre, mas caem 34% no semestre; tilápia domina

Retomada de 15% entre abril e junho não atenuou o baque das tarifas norte-americanas; movimento atípico levou 50 toneladas de tilápia de volta ao Vietnã

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Tilápia do Vietnã dispara 30% em SP e acende sinal de alerta na piscicultura
Canva/ Banco

As exportações do setor de piscicultura no Brasil encerraram o primeiro semestre de 2026 com uma retração expressiva de 34% no faturamento em comparação ao mesmo período de 2025, somando US$ 23,3 milhões. O resultado consolida o impacto do desgaste comercial com o mercado internacional, embora os dados mais recentes sugiram o início de um processo de recuperação gradativa.

Entre abril e junho (2º trimestre), o setor movimentou US$ 12,5 milhões (2.316 toneladas), registrando uma alta de 15% em relação ao primeiro trimestre deste ano. O mês de junho registrou os melhores desempenhos do período, sinalizando reação das vendas externas. Contudo, quando comparado ao mesmo trimestre de 2025, o montante atual permanece 26% menor. Em volume financeiro e físico no acumulado do ano, a queda do semestre alcançou 34% em valor e 42% em tonelagem.

O fator 'tarifaço' nos Estados Unidos

A retração no acumulado de 2026 está diretamente associada às barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, principal destino do pescado nacional. Conforme explicou o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), as recentes alterações tributárias desestabilizaram as remessas.

"O tarifaço dos Estados Unidos foi sem dúvida o principal motivo que levou à queda das exportações da piscicultura nesse primeiro semestre de 2026 em comparação com 2025. Mesmo com a redução da tarifa de importação imposta por aquele país em fevereiro de 2026, de 50% para 10%, as exportações ainda não retomaram o patamar de vendas de 2025", analisou Pedroza.

O especialista alertou ainda para desdobramentos no cenário regulatório norte-americano, que planeja elevar a tarifa do filé de tilápia congelado para 35% (adicionando 25% aos 10% vigentes). "Ainda existe um certo clima de insegurança que impacta a confiança das empresas exportadoras", completou.

Tilápia lidera embarques; filés frescos mantêm o topo

A tilápia reafirmou a liderança na pauta do setor no segundo trimestre, respondendo por 95% da receita exportada (US$ 11,7 milhões) e 91% do volume. Na sequência, figuraram os bagres (US$ 333 mil) e o tambaqui (US$ 238 mil).

No recorte por produto, a preferência pelos itens de maior valor agregado sustentou os filés frescos ou refrigerados na ponta da pauta comercial. A categoria movimentou US$ 9 milhões entre abril e junho, equivalente a 72% de toda a receita no trimestre, embora represente cerca de metade do volume total em toneladas. Por sua vez, a categoria de filés congelados teve um salto percentual expressivo frente ao primeiro trimestre, subindo 913% em valor e 1.520% em peso.

A concentração regional também se manteve expressiva: os estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul responderam por 98% do volume total de tilápia exportado.

Relação com o Vietnã e atipicidade na reexportação

As importações brasileiras de tilápia vietnamita, que totalizaram US$ 33 milhões (8 mil toneladas) no semestre, posicionando a espécie como a terceira mais importada pelo país, apresentaram retração nos meses de abril, maio e junho. A queda ocorre em paralelo a restrições de entrada implementadas por governos estaduais, como São Paulo e Pernambuco.

O período também registrou uma operação atípica: o envio de 50 toneladas de filé de tilápia congelado do Brasil para o Vietnã (cerca de dois contêineres).

"Isso é uma operação atípica, pois o Vietnã tem sido o grande exportador de tilápia para o Brasil, e não importador. Considerando que alguns estados brasileiros têm implementado medidas para restringir a entrada de tilápia importada do Vietnã, é possível que essas exportações sejam devoluções de produtos que não puderam ser desembarcados e por isso foram reexportados", ponderou Manoel Pedroza.

Sobre o levantamento

Os dados integram o boletim de acompanhamento do projeto BRS Aqua, iniciativa coordenada pela Embrapa com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA/MPA) e da própria Embrapa, com suporte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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