Novas regras do greening em SP: veja o que muda no manejo e no corte de árvores
Para conter os impactos econômicos da doença sem inviabilizar a atividade citrícola, a Secretaria de Agricultura estabelece novos critérios de manejo com base na taxa de incidência dos municípios

A Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) do Estado de São Paulo publicou a Resolução SAA-SP nº 32/2026, que estabelece novas regras obrigatórias para a prevenção e o controle do greening (Huanglongbing/HLB), principal praga que ameaça a citricultura paulista. A norma substitui dispositivos anteriores de 2021 e adequa a legislação estadual às diretrizes federais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Portaria SDA/MAPA nº 1.326/2025).
A medida torna obrigatório o cadastro de todas as propriedades rurais e viveiros que possuam plantas cítricas, independentemente do porte ou finalidade da produção.

Classificação por incidência e novas regras de arranquio
Uma das mudanças centrais trazidas pela resolução é o enquadramento dos municípios em dois grupos, com base nos relatórios semestrais apresentados pelos próprios citricultores e em amostragem mínima de 10% das propriedades cadastradas:
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Baixa incidência: municípios com até 10% de plantas sintomáticas.
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Alta incidência: municípios com percentual superior a 10% de incidência da praga.
Essa classificação, que será revisada anualmente, determina a obrigatoriedade da erradicação das plantas doentes:
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Em municípios de baixa incidência: é obrigatória a eliminação de todas as plantas sintomáticas, independentemente da idade.
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Em municípios de alta incidência: o arranquio passa a ser exigido apenas para plantas sintomáticas com até três anos de vida.
A mudança representa uma flexibilização em relação às regras anteriores, que exigiam o arranquio de plantas de até oito anos e impunham quarentena às demais. A alteração atende a preocupações econômicas do setor: em um período de custos de produção elevados e queda nos preços da fruta, a manutenção do rigor anterior poderia forçar a paralisação das atividades de diversos citricultores.
Monitoramento rigoroso e transporte de frutas
Apesar da flexibilização no corte de árvores adultas em áreas com alta presença da praga, a norma endurece o controle fitossanitário no campo:
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Vistorias nos pomares: devem ser feitas trimestralmente, gerando relatórios semestrais para a CDA com dados sobre inspeções, erradicações e replantios. O corte ou arranquio deve ser feito pelo próprio produtor, sem direito a indenização estatal.
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Controle do vetor: o monitoramento do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor da bactéria, deve ocorrer a cada 15 dias. Propriedades que apresentem ninfas em 5% ou mais dos brotos vistoriados serão consideradas sem manejo adequado.
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Aquisição de mudas e documentos: as mudas só podem ser compradas de estabelecimentos cadastrados na Defesa Agropecuária. Além disso, produtores deverão guardar por cinco anos todos os comprovantes de compra, notas fiscais, relatórios de monitoramento e registros de aplicação de inseticidas.
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Trânsito de frutas: para o transporte interestadual de citros in natura, torna-se obrigatória a escovação das frutas e a remoção de folhas e ramos (medida da qual a tangerina Ponkan fica isenta).
O avanço do greening em SP e Minas Gerais
As novas diretrizes chegam em um momento crítico de disseminação da doença. Segundo dados do Fundecitrus, a incidência média de greening no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro saltou de 18,9% das árvores em 2016 para 50,6% em 2025. A severidade média do ataque nos pomares afetados também cresceu significativamente no período, passando de 6% para mais de 22%.
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Limeira (79,89%): lidera o ranking estadual com o maior índice de contaminação.
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Porto Ferreira (70,58%): enfrenta situação crítica, com registro de erradicação de áreas improdutivas.
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Avaré (69,16%), Duartina (62,69%) e Brotas (60,80%): apresentam alta incidência da doença nos pomares.
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Votuporanga (3,12%): mantém-se na faixa de baixa incidência.
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Triângulo Mineiro (0,30%): registra o menor índice de contaminação de toda a região analisada.
Embora municípios como Brotas, Porto Ferreira e Duartina tenham registrado pequenas quedas nos índices pontuais, o levantamento indica que o recuo decorre principalmente da eliminação total de pomares antigos que se tornaram inviáveis. Por outro lado, regiões como Itapetininga (+16,68 pontos percentuais) e São José do Rio Preto (+13,47 pontos) registraram as maiores acelerações na contaminação recente.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



