Greening desacelera no cinturão cítrico em 2026, mas alta severidade preocupa
Atingindo 48,08% das laranjeiras de SP e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, doença registra menor evolução em nove anos; aumento na captura de psilídeos em agosto exige rigor no controle do vetor

O avanço do greening (huanglongbing/HLB) no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro apresentou uma desaceleração em 2026. Segundo o levantamento anual de incidência de doenças do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a enfermidade atingiu 48,08% das laranjeiras do parque comercial neste ano. O número representa uma leve alta de 0,45 ponto percentual em relação aos 47,63% registrados em 2025, o menor ritmo de crescimento da doença nos últimos nove anos.
A estabilização reflete o impacto positivo do controle mais rigoroso do vetor no ano passado (com queda de 45% nas capturas de psilídeos em 2025 comparado a 2024), aliada a condições climáticas menos propícias à transmissão bacteriana. A estratégia de renovação do parque citrícola também foi decisiva: 74% dos 12.504 hectares erradicados no período 2025/26 ficavam em áreas críticas, enquanto 45% dos 17.821 hectares de novos plantios se concentraram em regiões de menor risco.
O reflexo dessa reorganização do campo é visível nas plantas mais jovens: na faixa de três a cinco anos, a incidência de doentes despencou de 39,18% em 2025 para 29,50% em 2026.
Severidade e o gargalo das árvores adultas
Apesar do freio no surgimento de novos focos, o greening continua castigando as plantas doentes mantidas no campo. A severidade média do pomar em produção subiu de 25,9% para 31,0%, e a proporção de árvores em estágio gravíssimo (com mais da metade da copa comprometida) saltou de 22,5% para 28,5%.
Esse agravamento se deve, sobretudo, à hesitação do produtor em eliminar árvores doentes em pomares com mais de 10 anos de idade, onde a incidência subiu para 63,27%. "A permanência dessas plantas favorece a redução do número de frutos por árvore e o aumento da queda prematura de frutos", alertou o pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi.
Discrepância regional
O levantamento volta a evidenciar um cinturão cítrico dividido. As maiores incidências concentram-se no estado de São Paulo, lideradas por Limeira (82,10%), Porto Ferreira (72,43%) e Avaré (69,50%). Na outra ponta, o Triângulo Mineiro ostenta o melhor cenário do parque, com taxa residual de 0,31% de incidência e severidade média de apenas 0,04%.
Alerta vermelho com a brotação de primavera
Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, os dados provam a eficácia do manejo. No entanto, o greening continua causando perdas nas plantas que permanecem no campo. O surgimento de novas brotações no segundo semestre amplia a oferta de alimento para o vetor, que deu sinais de forte reação: a média de psilídeos capturados por armadilha em agosto ultrapassou 6,22 insetos, maior índice do ano.
“Por isso, não podemos dar como ganha a guerra contra o greening. A continuidade do controle rigoroso do psilídeo e da eliminação das plantas doentes é fundamental para reduzir a incidência e, principalmente, o impacto do greening no médio prazo”, reforçou Ayres sobre a necessidade de pulverizações rigorosas para manter o ritmo de desaceleração nos próximos ciclos
Retrato das doenças no cinturão em 2026:
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Greening (HLB): 48,08% de incidência (+0,45 p.p. vs 2025); severidade média subiu para 27,0%.
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Cancro Cítrico: Presente em 36,26% dos talhões, mantendo expansão, porém em ritmo mais brando.
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Leprose: Atinge 6,61% dos pomares comerciais (aproximadamente 14,04 milhões de árvores).
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CVC (Clorose Variegada dos Citros): Segue sob controle em níveis residuais de 0,14%.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



