Azeite brasileiro: após safra recorde, setor foca em tecnologia para estabilizar em 2027
Após 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem na safra 2026, setor liderado pelo RS foca em pesquisa para superar oscilações climáticas e combater a concorrência desleal

O ano de 2026 entra para a história do agronegócio brasileiro com a marca recorde de 1,434 milhão de litros de azeite de oliva extravirgem produzidos no país. Apresentado pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), o balanço reflete a consolidação de uma cadeia que hoje reúne mais de 620 produtores, 77 lagares em operação e 10,3 mil hectares cultivados em cerca de 280 municípios de oito estados. No entanto, ao lado da celebração do volume histórico, o setor já projeta uma colheita menor para 2027 e define sua prioridade estratégica: mitigar a “montanha-russa” da produtividade.
O desempenho de 2026 representou uma forte recuperação para o Rio Grande do Sul, responsável por 81% de toda a colheita nacional e por 69% da área plantada (7,1 mil hectares). O salto produtivo ocorre após duas safras gravemente afetadas pelo excesso de chuvas no estado. Como a área cultivada permaneceu estável, o resultado expressivo é atribuído à evolução do manejo, à melhor adaptação dos produtores às condições climáticas e ao aprimoramento tecnológico nos polos de processamento em municípios como Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul.
Com a previsão de novas chuvas na primavera gaúcha, a tendência para a safra de 2027 é de retração, somada à bienalidade natural da oliveira. Para interromper esse ciclo de altos e baixos, a aposta do setor está no desenvolvimento científico e na inovação tecnológica no campo.
"Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa 'montanha-russa' e precisamos ter uma estabilidade produtiva. Por isso, estamos cada vez mais aliados à tecnologia e às universidades como a Universidade Federal de Santa Maria e a Universidade Federal de Pelotas", afirmou o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
Panorama nacional e desafios de mercado
Além do clima, o setor enfrenta gargalos no mercado consumidor. O Ibraoliva reforçou que continuará acompanhando a fiscalização de azeites importados junto ao Ministério da Agricultura. Em agosto deste ano, laudos técnicos reprovaram diversas marcas estrangeiras vendidas como extravirgens, mas que não cumpriam os padrões de qualidade exigidos pela categoria.
O cenário de concorrência se tornou mais complexo desde março de 2025, quando o governo brasileiro zerou a alíquota de importação para o azeite extravirgem, mantendo a taxa de 9% apenas para o tipo virgem. Para aumentar a competitividade do produto nacional, reconhecido pelo frescor e qualidade superior, o Ibraoliva planeja intensificar campanhas de consumo e fomentar a venda cooperativada entre marcas para obter ganhos de escala.
A olivicultura no Brasil em números:
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Produção nacional (2026): 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem
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Área total cultivada: 10,3 mil hectares (RS responde por 7,1 mil ha / 69%)
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Estrutura da cadeia: 620+ produtores e 77 lagares em 8 estados
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Polo principal: Rio Grande do Sul (81% da safra nacional)
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Segundo polo: Serra da Mantiqueira (MG, SP e RJ)
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Fronteiras promissoras: Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



