'Consumidor paga por azeite extravirgem e leva virgem', alerta Ibraoliva sobre importados
Entidade encaminhou a Receita Federal uma denúncia para apurar indícios de fraude tributária na entrada de produtos europeus no país

A escassez de garrafas rotuladas como "azeite virgem" nas gôndolas dos supermercados brasileiros não reflete a realidade das importações que chegam ao país, mas pode significar uma falha de fiscalização e de rotulagem. A suspeita é do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Segundo o dirigente, Flávio Obino Filho, laudos oficiais do Ministério da Agricultura comprovam que o mercado interno está abastecido por azeites de categoria inferior vendidos sob a rotulagem de alto padrão.
O dirigente explica que a entidade não se opõe à comercialização do azeite virgem, mas exige transparência. "Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis", destaca Obino Filho. "O azeite virgem é um suco natural, tem uma série de vantagens para a saúde, mas não é como o extravirgem no que diz respeito à quantidade de antioxidantes e polifenóis, além de ter defeitos sensoriais".
De acordo com Flávio Obino Filho, a dinâmica do mercado brasileiro ajuda a explicar a disparidade encontrada nas gôndolas. "Em março de 2025, o Governo Federal decidiu zerar a alíquota de importação dos azeites da Europa, mas só alterou a tarifa do extravirgem, mantendo o virgem nos 9%. Como os produtos que estão chegando não são extravirgens, talvez essa situação em que a gente entra no supermercado e não encontra azeite virgem seja explicada por isso: ao trazer o virgem declarando como extravirgem, não se paga o imposto" destacou o presidente do Ibraoliva.
Além do aspecto fiscal, o dirigente reforçou os problemas de qualidade decorrentes da perda de classificação. "O extravirgem é um azeite que não pode ter defeitos. Já o azeite virgem vendido sob o rótulo de extravirgem apresenta, quando aberto e provado em laboratório, gosto de vinagre, de terra e de mofo. Isso acontece porque são produtos comprados mais baratos na Europa que sofrem com a viagem pelo oceano em altas temperaturas dentro de contêineres", pontuou.
Para combater as irregularidades, o setor defende o fortalecimento da estrutura de controle no país. "O Ministério da Agricultura tem um laboratório só. Nós estamos incentivando a criação de novos espaços no Brasil para aumentar o número de experts e de painéis que possam fazer essa análise. Precisamos ter uma rede maior de laboratórios credenciados pelo Conselho Oleícola Internacional (COI) e pelo Mapa para buscar fiscalizar 100% do importado e também o nacional", explicou.
Por fim, o representante da olivicultura destacou o contraste com o produto fabricado localmente. "A grande maioria dos nossos azeites é extravirgem, de uma categoria muito superior. O azeite brasileiro é feito com cuidados de colheita quase toda manual, transformado imediatamente após a apanha, o que aumenta a qualidade e diminui a acidez. Quem prova o azeite brasileiro e compara com esses de supermercado vê a diferença de um azeite de verdade", afirmou Obino Filho.
Flávio Obino Filho conclui com um alerta ao consumidor: "Tenho certeza de que essa divulgação alerta o consumidor de que esses azeites de baixo preço não entregam o que dizem entregar. O convite é para que a população se cuide, saiba o que está comprando e, aquele que puder, compre um azeite verdadeiramente extravirgem e compare".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.


