EUA ampliam cota de carne bovina para países; ABIEC vê oportunidade, mas margem menor
Decreto abre cota de 300 mil toneladas nos EUA compartilhada com outros países; preço 25% menor limita ganhos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) um decreto que amplia temporariamente a quantidade de carne bovina que pode ser importada pelo país com tarifa reduzida e acima da cota atual. A medida entra em vigor no dia 1º de setembro, com duração de 90 dias, e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas por mês, totalizando um volume de 300 mil toneladas no trimestre para o grupo "Other Countries" ("Outros Países"). Segundo a Casa Branca, a decisão deve ampliar a oferta interna de carne bovina em cerca de 10% em relação às projeções atuais.
O comunicado oficial do governo norte-americano especifica que o produto importado, a carne bovina magra (lean beef trimmings), deverá ser utilizado exclusivamente na produção de carne moída, em combinação com a proteína produzida nos Estados Unidos. Como o Brasil não possui uma cota exclusiva para exportar aos EUA e integra o grupo de "Outros Países", os frigoríficos nacionais compartilharão esse volume adicional de importação com fornecedores de diferentes origens.
Em nota oficial de posicionamento, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) avaliou que a iniciativa do governo norte-americano pode representar uma oportunidade comercial para a pecuária brasileira, embora venha acompanhada de condicionantes que limitam ganhos financeiros de curto prazo.
"A iniciativa pode representar uma oportunidade para o setor brasileiro, embora o Brasil não seja o único país que poderá se beneficiar da ampliação", destacou a ABIEC. A entidade ressaltou que as regras impostas por Washington estabelecem que os produtos sejam comercializados a preços 25% inferiores aos praticados atualmente no mercado norte-americano, "o que limita ganhos imediatos de margem para a indústria".
Mercados complementares
A ABIEC também enfatizou que a ampliação das cotas nos Estados Unidos não substitui o mercado da China, atual maior comprador da proteína brasileira. "A medida não substitui o mercado chinês, uma vez que China e Estados Unidos demandam produtos com características e perfis distintos. São mercados complementares dentro da estratégia de diversificação das exportações brasileiras", pontuou a associação.
Diante do novo decreto, o setor produtivo nacional já se organiza para responder aos requisitos exigidos pelos compradores norte-americanos. "A Associação seguirá acompanhando a implementação da medida e o setor trabalhará para adequar sua produção à demanda americana, aproveitando as oportunidades comerciais que possam surgir", concluiu a nota da entidade.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



