Itatiaia

UE mantém bloqueio a carnes do Brasil a partir de quinta (3), mas vê solução rápida

Suspensão motivada por regras no uso de antimicrobianos atinge proteínas bovina e de aves, ovos e mel

Por
EUA perdem liderança mas seguem comprando carne bovina do Brasil: entenda
Freepik/Banco de imagem

A União Europeia deve suspender, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carnes e outros produtos de origem animal procedentes do Brasil. A decisão, anunciada em maio e confirmada nos últimos dias por eurodeputados e pelo gabinete do comissário europeu para a Saúde e Bem-Estar Animal, Oliver Varhelyi, cria um embargo sanitário que deve paralisar o comércio de proteína animal com o bloco por meses, e que, no caso da carne bovina, pode se estender por até dois anos devido ao ciclo produtivo entre o nascimento e o abate dos animais.

A medida atinge diretamente os embarques de carne bovina, aves, ovos, mel, peixes, tripas e animais vivos para alimentação. O impasse decorre do não cumprimento, por parte da cadeia brasileira, das exigências europeias que restringem o uso de antimicrobianos e antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, visando resguardar substâncias vitais para a medicina humana.

O estopim da suspensão foi o descredenciamento do Brasil da lista de países reconhecidos pela UE como aptos em relação a essas normas específicas. Apesar dos esforços diplomáticos de última hora liderados pelo Ministério da Agricultura para atestar os sistemas de fiscalização e certificação nacionais, o bloco europeu descartou a prorrogação do prazo.

Aceno diplomático e auditoria no campo

Apesar do fechamento iminente das fronteiras comerciais, a Comissão Europeia adotou um tom conciliador nesta terça-feira (1º). A principal porta-voz do órgão, Paula Pinho, enfatizou a confiança do bloco nos esforços do governo e dos produtores brasileiros para adequar os procedimentos internos.

"Podemos confiar plenamente no Brasil e em seu compromisso de resolver essa questão, para que possamos retomar as importações o quanto antes", afirmou a porta-voz.

Em paralelo à entrada em vigor da restrição, técnicos e auditores europeus estão no Brasil concluindo a inspeção em produtores de carne de aves e estabelecimentos de mel. A avaliação em campo busca determinar se essas cadeias específicas já cumprem as exigências sanitárias. De acordo com o executivo europeu, a divulgação do relatório final ainda dependerá da elaboração técnica dos auditores, sem data confirmada.

Impacto financeiro e reputacional

Embora a União Europeia não lidere o volume das exportações de carne bovina brasileira, respondendo por cerca de 3,5% do total embarcado em 2025 (108,6 mil toneladas), o mercado europeu se destaca pela elevada rentabilidade. O bloco gerou 5,5% do faturamento externo da carne bovina no último ano devido ao alto valor agregado dos cortes nobres lá comercializados, movimentando cerca de US$ 1 bilhão.

Estimativas do setor apontam que a restrição sobre carnes, ovos e mel coloca sob risco cerca de US$ 1,8 bilhão ao ano em receita. Além da perda financeira imediata, a grande preocupação das entidades do agronegócio reside no "efeito reputacional". Sendo a Europa um divisor de águas em termos de exigências sanitárias, o setor teme que o veto seja replicado por outros países compradores de grande porte.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

Belo Horizonte