União Europeia é destino de quase R$ 2 bilhões de exportações brasileiras de carne
Bloco vetou o produto brasileiro da lista de nações autorizadas a exportar para o continente a partir de setembro

O veto da União Europeia à importação de carne brasileira, publicado nesta terça-feira (12), pode ter um impacto de quase R$ 2 bilhões na balança comercial nacional. Segundo dados do sistema de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o bloco europeu importou um total de R$ 1.641 bilhão em carnes em 2025.
A medida omite o produto brasileiro da lista de nações autorizadas a exportar o produto para o bloco a partir de setembro. A ausência brasileira reflete um endurecimento da vigilância europeia em um momento de alta tensão política em relação ao acordo de livre comércio com o Mercosul.
O setor agrícola da Europa, liderado pela França, tem elevado o tom das críticas contra o tratado, temendo a invasão de produtos sul-americanos a preços abaixo do praticado pelo mercado local. No caso das carnes, a UE considera que o Brasil não cumpre as exigências de uso excessivo de antibióticos na pecuária.
Em nota, a porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrnčířová, confirmou que a decisão está relacionada às regras de medicamentos na produção animal. As normas da UE proíbem o uso de antibióticos para promover crescimento ou aumentar a produtividade em animais destinados à produção de alimentos.
As regras estão em vigor para produtores europeus desde 2022 e passarão a valer também para exportadores estrangeiros a partir de setembro de 2026. "Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a União, o Brasil deve garantir conformidade com os requisitos da União sobre o uso de antibióticos durante toda a vida dos animais”, disse.
Governo recebe veto com “surpresa”
Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), disse que recebeu a notícia do veto da UE com “surpresa”. A pasta esclareceu que a decisão ocorreu no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração, mas que ainda não entrou em vigor definitivamente.
O chefe da delegação do Brasil junto à União Europeia já agendou uma reunião com as autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações e tentar reverter a decisão, nesta quarta-feira (13). O ministério reafirma que o país possui um sistema sanitário “robusto e de qualidade internacional reconhecida”
“O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”, disse o Mapa.
Setor reage a veto
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), esclareceu que o Brasil segue habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu. A entidade disse que a medida ainda não proibiu as exportações para o bloco, e que o setor privado trabalhará em parceria com o Mapa para reverter a situação.
“A medida anunciada está relacionada à implementação de novas exigências regulatórias referentes ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para setembro de 2026. O eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida”, disse.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e com apoio técnico do setor produtivo privado, prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia acerca das diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, visando ao retorno do Brasil à lista de países autorizados.
“É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias”, declarou a entidade.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde




