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EUA devem flexibilizar importação de carne bovina para frear inflação; medida favorece Brasil

Estados Unidos lidam há mais de um ano com escassez de gado para abate, o que tem elevado os preços da carne bovina no país

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Carne bovina
Proposta em discussão prevê a suspensão do mecanismo de cotas anuais • IMAC/Reprodução

O governo dos Estados Unidos deve anunciar em breve um pacote de medidas para ampliar a oferta de alimentos e tentar conter a escalada de preços que atinge o país. Segundo informações antecipadas pelo The Wall Street Journal, a administração de Donald Trump planeja suspender temporariamente as cotas tarifárias para a carne bovina, facilitando a entrada de produtos estrangeiros — uma decisão que pode beneficiar diretamente os exportadores brasileiros.

A estratégia surge como resposta a um cenário crítico: com o rebanho norte-americano no menor nível em 75 anos, o preço da carne moída disparou 40% nos últimos cinco anos, tornando-se um dos principais vilões do custo de vida nos EUA.

Em 2025, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior produtor mundial de carne bovina.

Abertura de mercado

A proposta em discussão prevê a suspensão do mecanismo de cotas anuais. Atualmente, após atingir um determinado volume de importação, as tarifas sobre a carne estrangeira sobem drasticamente. Com a mudança, o governo permitiria que um volume maior de cortes e carne moída entre no mercado americano com custos tributários reduzidos.

Para o Brasil, que já tem os EUA como seu segundo maior destino de exportação de carne bovina (atrás apenas da China), a medida representa uma oportunidade de expansão. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, o Brasil enviou quase 150 mil toneladas para o mercado norte-americano, suprindo a escassez gerada pela seca e pela redução dos rebanhos locais.

Incentivos aos pecuaristas americanos

Para equilibrar a facilitação das importações, o plano deve incluir contrapartidas para fortalecer a produção doméstica:

  • Menos burocracia: o governo deve retirar a obrigatoriedade do uso de brincos eletrônicos para identificação do gado, uma norma do USDA criticada pelos produtores pelos altos custos.
  • Linhas de crédito: ampliação de empréstimos e acesso a capital para pequenos e médios criadores de gado.
  • Flexibilização ambiental: revisão de regras de proteção a lobos, atendendo a pedidos de fazendeiros que enfrentam perdas de animais por ataques de predadores.

Investigações e cenário macroeconômico

Enquanto planeja a abertura do mercado, o governo Trump também mantém o foco em possíveis práticas anticompetitivas. Gigantes do setor, como a JBS e a National Beef (Marfrig), estão sob investigação por supostamente pressionarem os preços ao consumidor enquanto as margens dos pecuaristas permanecem apertadas.

Além da carne, os EUA também devem revisar tarifas sobre outros itens essenciais, como madeira, móveis, aço e alumínio, buscando uma redução generalizada nos custos de produção e consumo no país.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde