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Brasil atinge 50% da cota de carne bovina na China e setor prevê esgotamento em junho

Assim que atingir os 100% da cota, a sobretaxa de 55% entra em vigor três dias depois

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Carne bovina: Brasil bate recorde de exportação em 2026 com receita bilionária
Apesar da ameaça tarifária, o início de 2026 foi de crescimento acelerado • Canva/ Banco de imagem

O governo da China anunciou, neste domingo (10), que as importações de carne bovina do Brasil já atingiram 50% da cota anual prevista no mecanismo de salvaguarda para 2026. A marca, alcançada oficialmente no sábado (9), acende um alerta para os exportadores brasileiros: assim que o volume total de 1,1 milhão de toneladas for preenchido, o produto nacional passará a sofrer uma tarifa extra de 55%.

O Brasil é o segundo grande fornecedor a cruzar essa linha em 2026, seguindo a Austrália, que atingiu metade de sua cota em março. O mecanismo chinês prevê alertas formais aos parceiros comerciais quando as importações chegam a 50%, 80% e 100% do volume estipulado.

Divergência de dados e o 'efeito navio'

Embora Pequim registre 50% de preenchimento, o setor produtivo no Brasil acredita que a situação é ainda mais avançada. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estima que o volume real já tenha ultrapassado 65% da cota.

Essa diferença ocorre devido ao transit time: a carne leva cerca de 45 dias para cruzar o oceano. Assim, o que o Brasil registra como exportado hoje só aparecerá nos dados de importação de Pequim em meados de junho.

Impacto da tarifa de 55%

A salvaguarda chinesa (Anúncio nº 87 de 2025) é rigorosa, assim que atingir os 100% da cota, a sobretaxa de 55% entra em vigor três dias depois.

A perspectiva da Abiec é que o esgotamento total ocorra já no próximo mês. "Acreditamos que, entre 15 de maio e 15 de junho, os frigoríficos brasileiros deverão encerrar progressivamente os abates destinados à China", afirmou Roberto Perosa, presidente da entidade. Segundo ele, se não houver flexibilização por parte de Pequim, o Brasil pode enfrentar uma queda de até 10% nas exportações totais no segundo semestre, já que não há outro mercado capaz de absorver esse volume imediatamente.

Desempenho no primeiro quadrimestre

Apesar da ameaça tarifária, o início de 2026 foi de crescimento acelerado. O Brasil embarcou 1,091 milhão de toneladas (alta de 14,6% sobre 2025). Do total, a China absorveu 43,5% e gerou 45% do faturamento do setor (US$ 2,724 bilhões).

Enquanto Brasil, Argentina (27,5%) e Austrália aceleram, os Estados Unidos seguem com vendas estagnadas, preenchendo menos de 1% de sua cota de 164 mil toneladas.

Uma comitiva da Abiec cumpre agenda em Pequim e Chongqing nesta semana para tentar negociar com compradores e buscar uma interlocução com o governo chinês sobre os limites de volume, buscando evitar o "freio" nas vendas que a tarifa de 55% deve impor ao mercado.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde